Boric homenageou terra natal em tatuagens

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SANTIAGO, CHILE (FOLHAPRESS) - Em 2015, enquanto desenhava em Gabriel Boric um mapa antigo da região de Magalhães, a tatuadora Yumbel Gongora perguntou ao amigo se ele um dia se candidataria à Presidência. Deputado à época, ele respondeu que não. Dizia ser uma grande responsabilidade e que era muito cedo para isso. Ambos riram.

Gongora conheceu Boric por meio de amigos de Punta Arenas, capital de Magalhães e cidade natal de ambos. A tatuagem daquela ocasião, uma das três que Gongora fez no corpo do agora presidente eleito do Chile, exigiu que ambos fizessem uma profunda pesquisa. Boric queria um desenho com a estética de mapas do século 19, e os dois recorreram a livros e a imagens de época para definir a imagem.

A segunda, uma "lenga", veio logo depois. A árvore, característica do sul do Chile, é muito comum em Magalhães, onde venta muito. Por isso Boric quis que ela estivesse inclinada no desenho. "É uma imagem muito tradicional para identificar o sul do Chile, e Gabriel queria uma tatuagem que lembrasse o vento tão típico da região", afirma Gongora, 34, à reportagem.

Em 2018, foi a vez do desenho mais recente. Boric pediu à amiga que tatuasse em seu braço um farol, também típico da região. Quando ficou pronto, ele postou uma foto do desenho em sua conta de Instagram, com a descrição: "Um farol de Magalhães solitário entre os mares tempestuosos e misteriosos da Patagônia austral. Ali vou viver algum dia, mas por enquanto ele viverá comigo".

Além das tatuagens feitas pela amiga, o esquerdista tem ao menos outras duas visíveis. Uma delas é uma faixa preta que quase dá a volta no antebraço direito e que, antes de completar o desenho, desintegra-se em pequenos pontos. É uma representação do Estreito de Magalhães. Logo abaixo, Boric fez uma segunda faixa, desta vez composta pelos mesmos pontinhos, como se uma tatuagem completasse a outra.

"Sou tatuadora mas também desenho quadrinhos, e um amigo em comum nos apresentou. Depois, comecei a acompanhá-lo com mais frequência, em razão da política. Também sou ativista e feminista", afirma Gongora.

Para a artista, o fato de o Chile ter escolhido um presidente tatuado é positivo para combater o estigma que existe na sociedade. "É comum que existam pessoas que achem que alguém tatuado não é sério, que não pode ter um trabalho de responsabilidade. Ter um presidente com tatuagens pode mudar essa ideia".

A campanha eleitoral interrompeu o plano dos amigos de realizar uma quarta tatuagem. Gongora não conta qual é, mas adianta que também terá o sul do Chile como referência. "Não sei quando vamos poder fazer, porque ele terá pouco tempo, e uma sessão de tatuagem pode durar horas. Mas o plano existe."

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