Boric propõe retomar diálogo com mapuches para conter violência

O presidente do Chile, Gabriel Boric, quer chegar a um acordo, nesta sexta-feira (11), com lideranças mapuches e das comunidades da região de La Araucanía, de modo a estabelecer um diálogo e "isolar aqueles que acreditam que a violência é o meio" nesta zona em conflito histórico.

O presidente se reuniu com líderes comunitários, com autoridades de localidades rurais e até deu uma entrevista a uma emissora de rádio de Lonquimay, uma comuna 740 quilômetros a sudeste de Santiago, na fronteira com a Argentina. Nela, mostrou-se relaxado e reconheceu erros de seu governo na abordagem inicial deste conflito.

"Depois da reunião que vamos ter com os lonkos (líderes mapuches) e as comunidades, vamos socializar parte das propostas que temos para retomar o diálogo com o povo nação mapuche e abordar parte da dívida pendente que o Estado do Chile tem", disse Boric na entrevista.

O presidente de esquerda, de 36 anos, reconheceu que "isso não se consegue da noite para o dia, mas acreditamos que hoje estão reunidas as condições para iniciar um novo caminho, e isolar aqueles que acreditam que a violência é o meio", acrescentou.

A tão esperada visita de Boric a essa região, onde vive uma maioria das comunidades mapuches, foi precedida por uma série de ataques, incluindo o incêndio de uma escola e de uma igreja rural, além de bloqueios de estradas.

Mesmo durante a madrugada desta sexta, quando Boric se instalou em uma austera cabana em Lonquimay, outros atentados similares aconteceram, com a queima de um caminhão e de uma casa nesta área onde parte do conflito está relacionada com a exploração da rica indústria florestal.

Desde o início do ano, houve pelo menos oito mortes pela violência rural.

Na quinta-feira, Boric chamou de "covardes" os ataques na região.

Em alguns casos, são de "caráter terrorista", afirmou, comparando-os a ações próprias dos nazistas na década de 1930 e outras da época da ditadura militar no Chile (1973-90). Essas declarações foram recebidas, nesta sexta, com alívio e até mesmo elogios por parte da oposição política.

"Demos, como governo, e acho importante reconhecer isso, um passo em falso em nossa primeira visita, em que pecamos pelo voluntarismo e tivemos alguns incidentes muito complicados que afetaram nossa então ministra do Interior, minha querida companheira Izkia Siches", disse ele à rádio, em referência à primeira abordagem fracassada de seu governo a esse conflito.

O incidente mencionado por ele aconteceu em Temucuicui, localidade rural para onde a então ministra do Interior estava indo, em março, dois dias depois da posse de Boric. Sua comitiva foi intimidada com tiros para o alto.

Então, "nos demos conta de que a situação em La Araucanía precisa ser abordada sem atalhos e que aqui não se pode fazer manobras de comunicação. Você tem que vir com uma agenda sólida, robusta e, por isso, levamos tempo para prepará-la", explicou.

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