Boris defende deportação de imigrantes para Ruanda em dia de eleições adversas

Enquanto enfrenta eleições locais que podem aprofundar a crise em seu governo, Boris Johnson defendeu nesta quinta-feira em Ruanda o controverso acordo alcançado entre o seu governo e o ugandês para enviar imigrantes ilegais do Reino Unido para o país africano, fazendo um apelo a opositores para que "mantenham a mente aberta".

No primeiro dia de sua visita a Kigali, capital do país africano que sediará uma cúpula da Commonwealth no fim de semana, Boris elogiou o presidente de Ruanda, Paul Kagame, por seu governo, apesar das críticas sobre a situação local dos direitos humanos.

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Reportagens locais disseram que Boris e o presidente ruandês discutiram a questão da imigração, entre outros assuntos.

Em abril, Londres assinou um acordo de 120 milhões de libras para enviar requerentes de asilo para Ruanda, sem autorizar nenhuma maneira formal para que retornem legitimamente ao Reino Unido.

O acordo entre o Reino Unido e Ruanda despertou forte oposição e está travado por uma decisão de última hora do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (CEDH) em 14 de junho. Isso fez com que nenhum imigrante já tenha sido expulso do Reino Unido.

— Os críticos precisam manter a mente aberta sobre este programa — disse Johnson a repórteres após uma visita a uma escola de Kigali, onde interagiu com alunos. — O que os críticos deste programa precisam entender, e eu tenho visto muitas críticas, é que Ruanda passou por uma transformação completa nas últimas duas décadas.

Grupos de direitos humanos, líderes religiosos e também instituições como a ONU criticaram o acordo sobre os migrantes. De acordo com a imprensa britânica, o príncipe Charles se opõe ao plano do governo e o chamou de "horrível".

O governo britânico apresentou um projeto de lei ao Parlamento na quarta-feira para questionar a jurisdição do Tribunal.

A viagem de Boris acontece no mesmo dia em que dois distritos eleitorais na Inglaterra realizam votações parlamentares para substituir legisladores conservadores que renunciaram. Se o partido de Boris sofrer um novo revés, o primeiro-ministro, enfraquecido por escândalos, pode se ver em apuros novamente.

Essas eleições acontecem 17 dias após Boris sobreviver a uma moção de confiança por deputados de seu partido na tentativa de derrubá-lo.

O primeiro-ministro salvou o cargo, mas os 148 votos (de 359) contra ele deixaram claro o crescente descontentamento entre as fileiras de seu partido.

As pesquisas preveem derrotas conservadoras em Wakefield, tradicional reduto da esquerda que integra a chamada "Muralha Vermelha" do Norte desindustrializado da Inglaterra, vencido pela direita em 2019. Também espera-se uma vitória da esquerda em Tiverton-Honiton, eleitorado historicamente conservador no Sudoeste do país.

No entanto, Johnson descartou renunciar no caso de outro revés eleitoral.

— Você está louco? — disse ele a repórteres em Ruanda, onde está participando de uma cúpula da Commonwealth. — Normalmente os partidos do governo não vencem as eleições parciais, principalmente no meio do mandato.

O assento de Wakefield ficou vago quando o deputado conservador Imran Khan foi condenado a 18 meses de prisão por agredir sexualmente um menino de 15 anos.

Em Tiverton-Honiton, seu homólogo Neil Parish, de 65 anos, renunciou depois de ser pego assistindo a conteúdo pornográfico em seu celular no Parlamento.

Se esses dois assentos forem perdidos, um dos fatores terá sido a queda na popularidade de Johnson, considerado um "mentiroso" pela maioria dos britânicos após o chamando escândalo "Partygate" e confrontado com o descontentamento social devido a uma inflação histórica de 9,1% em maio.

A Commonwealth agrupa 54 Estados-membros, incluindo 15 reinos, muitos deles antigos territórios do Império Britânico. Somada, a população destes Estados chega a 2,6 bilhões de pessoas, ou seja, um terço da humanidade.

Ruanda, um pequeno país da África Oriental, está indelevelmente marcada pelo genocídio de hutus contra tutsis em 1994, mas agora apresenta altas taxas de crescimento que lhe renderam elogios, embora o país seja frequentemente criticado por suas políticas de direitos humanos

Em uma carta aberta aos líderes da Commonwealth, 23 organizações da sociedade civil e de direitos humanos disseram que havia um "clima de medo" em Ruanda

Ao organizar a sua cúpla em Kigali, a Commonwealth busca rebater essas críticas, tentando aumentar a credibilidade da capital.

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