Boris Johnson é questionado sobre balanço do coronavírus

Por Pauline FROISSART
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O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em Londres, em 6 de maio de 2020

O primeiro-ministro Boris Johnson foi pressionado pelo líder da oposição, nesta quarta-feira (6), devido ao grande número de casos de contágio e de mortos pelo coronavírus no Reino Unido, e prometeu apresentar uma estratégia de desconfinamento no domingo.

Um relaxamento do confinamento decretado em 23 de março é particularmente delicado, dada a magnitude da pandemia. Embora o número de mortes tenha começado a diminuir, o país ultrapassou a Itália e está atrás dos Estados Unidos nesse indicador.

As autoridades britânicas identificaram 29.427 mortes - um número que excede 32.000 se somadas as mortes prováveis, mas que não foram confirmadas por teste.

"Como chegamos a isso?", questionou o novo líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, que desafiou pela primeira vez o chefe do governo no Parlamento desde sua eleição, em 4 de abril, à frente de sua legenda.

"Embora as mortes nos hospitais pareçam estar caindo, o número de mortes em casas de repouso está aumentando", afirmou ele.

Falando em uma Câmara dos Comuns parcialmente vazia, já que a maioria dos deputados acompanha os debates a distância, Boris Johnson expressou seu "profundo pesar" pelo número de vítimas nas casas de repouso.

Ele reconheceu as dificuldades em obter equipamento de proteção e garantiu que há um "grande esforço" para obter um número suficiente de trajes de proteção.

O premiê disse ainda que sua "ambição" era atingir 200.000 testes por dia "no final do mês", o dobro do número no final de abril.

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Essa estratégia de testes deve permitir evitar uma maior disseminação da doença, em caso de relaxamento do confinamento prorrogado até quinta-feira.

Pressionado pela oposição para revelar sua estratégia, Boris Johnson prometeu dizer mais no domingo.

O ministro da Saúde, Matt Hancock, sugeriu que os cafés com espaços ao ar livre possam reabrir.

"Há evidências de que a propagação é muito mais fraca em ambientes externos, então pode haver soluções que algumas empresas possam implementar, como cafés, especialmente no verão", disse o ministro à Sky Wednesday.

Uma forte pressão pesa sobre os ombros de Boris Johnson, devido às dramáticas consequências econômicas e sociais do confinamento. Hoje, são mais de 6 milhões de pessoas em desemprego parcial e demissões que se acumulam. A preocupação é particularmente forte no setor de turismo, à medida que o verão se aproxima.

O líder conservador alertou, porém, para o risco de um "desastre econômico" no caso de um segundo pico epidêmico.

Irritando os deputados ao optar por apresentar esse desconfinamento primeiro à população, o primeiro-ministro disser quer, se possível, implementar algumas dessas medidas na segunda-feira.

"Acho que seria legal as pessoas terem uma ideia do que vai acontecer no dia seguinte. É por isso que acho que o domingo é a melhor hora para fazer isso", alegou.

Este foi seu retorno à Câmara dos Comuns após sua hospitalização, seguido de um período de convalescença. O primeiro-ministro não se apresentava aos deputados desde 25 de março.

Seu confronto com Keir Starmer estava marcado para a quarta-feira da semana passada, mas o nascimento de seu filho com Carrie Symonds fez o premiê perder a tradicional sessão de perguntas e respostas ao governo.

Enquanto isso, o confinamento mostrou seus efeitos, e o país passou do pico da epidemia, anunciou o líder de 55 anos, na semana passada.

Para complicar a situação, o comitê de cientistas encarregado de aconselhar o governo também passa por um mau momento.

Após a controvérsia provocada pela presença nas reuniões do polêmico conselheiro de Boris Johnson, Dominic Cummings, o epidemiologista Neil Ferguson, muito ouvido durante a crise, teve de renunciar, após violar o confinamento que ele mesmo recomendou.

Segundo o Telegraph, ele autorizou uma mulher apresentada como sua amante a visitá-lo em sua casa.