Boris Johnson anuncia plano para o fim gradual do confinamento

Pauline FROISSART
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O primeiro-ministro britânico Boris Johnson

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse esperar nesta segunda-feira (22) um retorno quase à normalidade na Inglaterra para o final de junho, ao apresentar um plano "prudente e irreversível" para levantar o confinamento, que começará com a reabertura das escolas no dia 8 de março.

Todo o país entrou em um novo confinamento no início de janeiro para lutar contra a epidemia de covid-19, que provocou mais de 120.000 mortes no Reino Unido e deixou os hospitais à beira do colapso.

Como o confinamento e a campanha de vacinação em massa resultaram em uma queda do número de novos casos, hospitalizações e mortes, Boris Johnson anunciou nesta tarde no Parlamento uma estratégia de desconfinamento em quatro etapas.

"Não podemos continuar indefinidamente com as restrições que prejudicam nossa economia, nosso bem-estar físico e mental", disse Johnson aos deputados. "Por isso, é essencial que este plano seja prudente e também irreversível", acrescentou.

Na Inglaterra, a nação mais populosa do Reino Unido com 56 milhões de habitantes, as escolas serão as primeiras a se beneficiar do plano, com uma reabertura prevista para 8 de março.

Depois, a partir de 29 de março, serão permitidos encontros ao ar livre limitados a seis pessoas ou duas casas diferentes, segundo o plano do governo.

Porém, comércios não essenciais, salões de bleza, pubs e restaurantes (apenas em espaços abertos) e museus terão de esperar até 12 de abril. Os cinemas, hotéis, estádios (até um máximo de 10.000 pessoas) e a hotelaria e interior de restaurantes poderão abrir a partir de 17 de maio, data a partir da qual os membros de diferentes casas poderão se reunir em espaços fechados.

Se a situação sanitária permitir, as restrições que limitam os contatos sociais serão levantadas em 21 de junho, assim como a recomendação ao trabalho remoto.

- Vacinas "mudaram a situação" -

Boris Johnson garantiu que qualquer decisão será adotada com base nos elementos científicos disponíveis, como a eficácia das vacinas anti-covid e a queda das hospitalizações.

A campanha de vacinação iniciada em dezembro alcançou uma alta velocidade: um em cada três adultos já recebeu a primeira dose.

Na primeira fase da campanha de vacinação, 15 milhões de pessoas receberam a primeira dose do imunizante, incluindo pessoas que moram em casas de repouso.

Desde então, a campanha foi ampliada para maiores de 65 anos e pessoas "clinicamente vulneráveis". Até meados de abril, o governo espera aplicar a primeira dose da vacina nas pessoas com mais de 50 anos.

O governo prometeu que todos os adultos receberão uma primeira injeção da vacina contra a covid-19 até o final de junho, antecipando esta meta inicialmente prevista para setembro.

"Acredito fundamentalmente que o programa de vacinação mudou a situação a nosso favor", destacou o primeiro-ministro.

Mesmo diante dos anúncios, alguns setores econômicos particularmente afetados pela pandemia, como hotéis e restaurantes, lamentaram não poder reabrir mais rapidamente.

O opositor Partido Trabalhista defende a redução do IVA para ajudar os setores.

No Reino Unido, cada uma das quatro nações decide a estratégia para a flexibilização do confinamento. Na Escócia e no País de Gales as escolas retomam as atividades progressivamente a partir desta segunda-feira, começando pelas crianças de menor idade.

Ao mesmo tempo que se prepara para acabar com o confinamento, o governo britânico endurece os controles nas fronteiras para evitar a importação de variantes. Desde segunda-feira passada, os residentes britânicos e cidadãos irlandeses que chegam à Inglaterra procedentes de 33 países considerados de risco devem permanecer em quarentena em um hotel, e pagar pelas despesas.

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