Boris Johnson com 'boa saúde' em sua quarentena por contato com covid-19

Anna CUENCA
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O primeiro-ministro britânico Boris Johnson
O primeiro-ministro britânico Boris Johnson

De novo em quarentena devido ao coronavírus, mas desta vez por ter estado em contato com um infectado, Boris Johnson afirmou nesta segunda-feira (16) que está em boa forma e tem muitos anticorpos após a grave doença que o levou ao hospital em abril.

"Não importa que eu esteja em ótima forma, que me sinta ótimo... que tive a doença e estou cheio de anticorpos", disse em um vídeo aparentemente gravado por ele mesmo na residência de Downing Street.

Depois contrair o coronavírus no fim de março, Johnson ficou em quarentena por mais de 10 dias, antes de ser internado por uma semana em um hospital de Londres. Ele passou três dias em uma Unidade de Terapia Intensiva.

Com quase 52.000 mortos, o Reino Unido é o país europeu com o maior número de vítimas fatais pela pandemia e algumas de suas regiões, como Inglaterra ou Gales, estão em confinamento pela segunda vez para enfrentar a segunda onda.

Os serviços de rastreamento informaram a Johnson que um deputado conservador com quem se reuniu recentemente testou positivo no exame da covid-19.

E apesar de garantir que manteve o distanciamento e não demonstrou nenhum sintoma, o primeiro-ministro decidiu dar o exemplo.

"Nós precisamos interromper a propagação da doença e uma das maneiras de fazer isso é com o auto-isolamento por 14 dias quando recebemos o contato do 'Test and Trace'" (o sistema de rastreamento britânico), acrescentou.

Outros quatro deputados que participaram na reunião também foram obrigados a entrar em quarentena.

- Mau momento -

O líder conservador continuará trabalhando de casa: nesta segunda-feira falou com os funcionários de Downing Street por Zoom. Na terça-feira ele presidirá à distância o conselho de ministros e no dia seguinte responderá as perguntas dos deputados em uma sessão virtual.

Mas o momento não poderia ser mais inoportuno.

Por um lado, as negociações entre o Reino Unido e a União Europeia em busca de um acordo comercial para suas relações pós-Brexit, da qual o período de transição se encerra em 31 de dezembro, serão retomadas nesta segunda-feira em Bruxelas.

Todos os prazos estabelecidos por ambas as partes já se esgotaram e aparentemente ainda resta muito trabalho a ser feito.

"Se não houver um grande avanço até a próxima semana ou dez dias, acredito que realmente temos um problema e a atenção, creio, começará a se voltar para o preparo de uma ruptura sem acordo", alertou à rádio irlandesa Newstalk o ministro das Relações Exteriores da República da Irlanda, Simon Coveney.

"Estou seguro de que se o primeiro-ministro precisar falar com alguém na Europa, ele poderá fazer isso pelo Zoom", disse o ministro da Saúde britânico Matt Hancock, ao canal Sky News.

Por outro lado, a quarentena de Johnson ocorre justamente após uma grande crise interna em Downing Street que na sexta-feira viu a saída inesperada de seu mais controverso e influente assessor, o arquiteto de sua vitória eleitoral esmagadora e do referendo do Brexit em 2016, Dominic Cummings.

Negando ter se demitido pela renúncia poucos dias antes do diretor de comunicação de Johnson e um grande aliado seu, Lee Cain, Cummings reiterou que sua intenção era deixar o cargo no final do ano.

Mas na sexta-feira à noite ele foi observado saindo de Downing Street com seus pertences em uma caixa.

Segundo a imprensa britânica, Cain renunciou depois que importantes figuras do Partido Conservador, incluindo a companheira do primeiro-ministro Carrie Symonds, se opuseram a sua nomeação como diretor de gabinete de Johnson, um cargo que Cummings só poderia conceder a um homem de sua total confiança e lealdade.

Agora, com os dois fora de jogo, o líder conservador precisa encontrar, em sua quarentena, um novo candidato para dirigir seu gabinete que, segundo a mídia britânica, poderia ser o ex-ministro das Finanças Sajid Javid.

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