Boris Johnson culpa UE por tensões na Irlanda do Norte

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O primeiro-ministro britânico Boris Johnson em centro de vacinação em Castlemilk, Glasgow, Escócia

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, culpou nesta quarta-feira (3) a União Europeia pelas tensões pós-Brexit na Irlanda del Norte e advertiu que o Reino Unido fará "o que for necessário" para defender o processo de paz e a unidade do país.

O dirigente conservador criticou no Parlamento britânico a atitude da UE, que, devido aos atrasos na entrega das vacinas contra a covid-19, pretendia introduzir um mecanismo de controle das exportações que, inicialmente, seria aplicado à Irlanda do Norte, apesar de ainda negociar abertamente com os 27.

Desde a aplicação plena do Brexit em 1º de janeiro, a província britânica tem sido regida por um regime especial que a mantém no mercado único europeu para evitar o restabelecimento de uma fronteira com a vizinha República da Irlanda, o que poderia ameaçar a frágil paz alcançada em 1998 com o Acordo da Sexta-Feira Santa.

"É muito lamentável que a UE pareça questionar o acordo da Sexta-Feira Santa, os princípios do processo de paz, aparentemente pedindo uma fronteira na ilha da Irlanda", rebateu Johnson.

Ao abrigo deste regime especial, as mercadorias que atravessam o mar da Irlanda da ilha da Grã-Bretanha para a província britânica têm de ser submetidas a controles aduaneiros.

Isso desagrada os unionistas da Irlanda do Norte, que o veem como uma separação do resto do Reino Unido e em cujas fileiras a tensão está aumentando.

Na segunda-feira, as autoridades da Irlanda do Norte tiveram que suspender os controles alfandegários indefinidamente como resultado de ameaças "preocupantes" contra os trabalhadores que os executam.

Neste contexto, o ministro britânico do gabinete (Casa Civil), Michael Gove, e o vice-presidente da Comissão Europeia Maros Sefcovic conversaram na noite desta quarta pelo telefone.

Em um comunicado conjunto, ambos reiteraram "seu compromisso total com o acordo da Sexta-feira Santa" de 1998 e do protocolo pós-Brexit sobre a Irlanda do Norte, para "proteger as conquistas de paz e manter a estabilidade".

Mais cedo, em uma reunião com a primeira-ministra da Irlanda do Norte, Arlene Foster, uma unionista contrária ao regime especial, Johnson garantiu que seu governo fará "tudo" para manter o comércio no Reino Unido funcionando sem problemas.

"Faremos tudo o que for necessário (...) para garantir que não haja barreira no Mar da Irlanda", disse ele, declarando-se pronto para implementar um artigo do acordo Brexit que permite a uma parte deixar de aplicá-lo em caso de sérias dificuldades "econômicas, sociais ou ambientais".

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