Boris Johnson defende solidariedade no G7 enquanto corta ajuda ao desenvolvimento

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Boris Johnson acena com a cabeça após receber a segunda dose da vacina de coronavírus da Oxford/AstraZeneca em 3 de junho de 2021 no centro de Londres

Desde a doação de vacinas anticovid-19 a países pobres até a escolarização de meninas, o primeiro-ministro Boris Johnson defende a solidariedade na cúpula do G7, mas continua sendo criticado por sua decisão de cortar a ajuda ao desenvolvimento.

Os chefes de Estado e de Governo do clube das sete maiores economias, presidido este ano pelo Reino Unido, se reúnem até domingo no sudoeste da Inglaterra com o objetivo de "reconstruir melhor" um mundo "mais verde" e "mais justo" após a pandemia.

Sua agenda inclui a distribuição de vacinas contra o coronavírus, com a promessa de doar um bilhão de doses a nações desfavorecidas, e o combate à crise climática, apoiando a descarbonização nesses países.

Os países ricos também querem ajudar a enviar o maior número possível de crianças para as salas de aula em todo o mundo, muitas das quais foram mantidas longe pelo coronavírus.

Nesse sentido, o governo britânico anunciou nesta sexta-feira que vai destinar 430 milhões de libras (605 milhões de dólares) para apoiar a educação de crianças vulneráveis, principalmente meninas, em países em desenvolvimento, e pediu a seus aliados do G7 que façam o mesmo.

O dinheiro irá para a Aliança Global para a Educação (GPE), que visa apoiar a escolaridade em países em desenvolvimento.

"A melhor maneira de tirar os países da pobreza e liderar a recuperação global é investir em educação, especialmente para meninas", prejudicadas pela pobreza, violência baseada em gênero e casamento infantil, disse Johnson.

É uma "fonte de vergonha internacional" para ele que "todos os dias, em todo o mundo, seja negada a crianças de grande potencial a oportunidade de se tornarem gigantes da indústria, cientistas ou líderes em qualquer área, simplesmente porque são meninas, pela renda de seus pais ou pelo local onde nasceram".

Isso foi agravado pela pandemia, que causou uma crise educacional sem precedentes, com 1,6 bilhão de crianças fora da escola em todo o mundo no auge dos confinamentos.

A contribuição britânica é parte de um plano de ação mais amplo do G7 para colocar 40 milhões de meninas na escola até 2025.

Para as ONGs, esses anúncios são "um passo na direção certa", mas Johnson pode fazer melhor: ele está fazendo promessas enquanto corta a até agora generosa ajuda ao desenvolvimento do Reino Unido.

Citando o impacto econômico da pandemia, ele cortou esse orçamento de 0,7% para 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, de cerca de 15 bilhões para 10 bilhões de libras, embora afirme que é temporário.

A decisão provocou uma avalanche de críticas dentro e fora do país, denunciando as repercussões humanitárias e o golpe nas ambições britânicas no cenário internacional após o Brexit.

Mas Johnson rejeita as críticas, dizendo na BBC: "Devemos estar extremamente orgulhosos do que estamos fazendo, apesar das dificuldades que enfrentamos".

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