Boris Johnson diz que precisa da 'cooperação' dos europeus

Boris Johnson em ato do Partido Conservador em Birmingham, Inglaterra, em 22 de junho de 2019.

Boris Johnson, favorito para ocupar o cargo de premier britânico com a saída de Theresa May e ardoroso defensor de um Brexit duro, admitiu na noite desta segunda-feira que precisará da "cooperação" da União Europeia para amortecer o impacto de uma saída da União Europeia sem acordo.

Em entrevista concedida à rede BBC, Boris Johnson garantiu que se até julho se tornar primeiro-ministro, seu governo não adotará qualquer "controle ou fronteira dura na Irlanda do Norte", a província britânica situada ao norte da República da Irlanda.

Assim será mesmo no caso de um Brexit duro, com o Reino Unido saindo do Bloco sem um acordo, como advertiu o próprio Johnson em várias ocasiões.

"É lógico que não depende apenas de nós", declarou o ex-ministro britânico das Relações Exteriores. "Também depende do outro lado. Há um elemento muito importante, o da reciprocidade e cooperação".

Johnson citou ainda o "período de transição", uma cláusula prevista no acordo entre Theresa May e seus sócios europeus em novembro, mas que considera "morto" após a rejeição do Parlamento britânico em três ocasiões.

"Necessitaremos de algum tipo de acordo e isto é precisamente o que busco para obter um período de transição", disse o ex-prefeito de Londres.

"É preciso preparar seriamente e com determinação" uma saída sem acordo e sob os termos da Organização Mundial do Comércio para demostrar a "seriedade" do Reino Unido.

Entre outras coisas, será preciso convencer Bruxelas a retomar as negociações, mas caso fracassem, Boris Johnson promete sair da UE em 31 de outubro, com ou sem acordo.