Boris Johnson: em nova crise, dois ministros do premiê britânico pedem demissão

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Sajid Javid e Rishi Sunak
Os ministros das Finanças, Rishi Sunak (à esq.), e da Saúde, Sajid Javid, renunciaram

Dois ministros do governo britânico renunciaram na terça-feira (5/7) em mais uma crise política enfrentada pelo primeiro-ministro Boris Johnson.

Deixaram os postos o ministro da Saúde, Sajid Javid, e o das Finanças, Rishi Sunak.

As renúncias ocorreram momentos após Johnson se desculpar por ter nomeado o parlamentar Chris Pincher, do Partido Conservador, para um cargo no governo mesmo após ser informado de uma queixa contra Pincher por assédio sexual.

Johnson reconheceu ter sido informado sobre a queixa em 2019, mas disse ter cometido um "grave erro" ao não tomar medidas em relação à denúncia.

Pincher foi suspenso do Partido Conservador na semana passada após relatos de que teria apalpado dois homens em um clube. Ao renunciar a seu cargo no governo, ele disse que havia "bebido muito" e "constrangido a mim e outras pessoas".

Após o episódio, a imprensa britânica divulgou que Pincher já havia sido denunciado por assédio sexual em 2019.

Mesmo assim, em fevereiro deste ano, Boris Johnson nomeou Pincher como "deputy chief whip", posto que, no sistema político britânico, tem como atribuição garantir que parlamentares do partido no poder votem conforme a orientação das lideranças.

Analistas avaliam que as renúncias colocam em xeque o governo de Boris Johson, que já vinha enfrentando fortes resistências no Parlamento.

Em comunicado no qual anunciou a renúncia, o ministro da Saúde disse ter perdido a confiança em Johnson.

Javid afirmou que políticos conservadores, grupo integrado por ele e por Johnson, nem sempre foram populares, "mas temos sido competentes em agir pelo interesse nacional".

"Infelizmente, nas atuais circunstâncias, o público está concluindo que não somos nem uma coisa nem outra".

"Lamento dizer, no entanto, que está claro para mim que essa situação não mudará sob sua liderança", afirmou.

Rishi Sunak, ministro das Finanças, afirmou em comunicado que deixar o posto "enquanto o mundo está sofrendo as consequências econômicas da pandemia, da guerra na Ucrânia e outros sérios desafios não foi uma decisão que tomei com facilidade".

"No entanto, o público corretamente espera que o governo seja conduzido de forma apropriada, competente e séria", afirmou.

"Nós queremos uma economia com baixos impostos e alto crescimento, e serviços públicos de alta qualidade, mas isso só pode ser alcançado de forma responsável se estivermos preparados para trabalhar duro, fazer sacrifícios e tomar decisões difíceis", afirmou.

Boris Johnson fala após anúncio
As renúncias ocorrem um mês após Johnson vencer uma votação de desconfiança no Parlamento britânico

O correspondente político da BBC, Jonathan Blake, afirmou que Johnson "se encontra numa posição muito precária" com as renúncias.

Segundo Blake, um primeiro-ministro pode ser capaz de superar a perda de um ministro, mas a perda de dois, talvez seja demais.

As renúncias ocorrem um mês após Johnson vencer uma votação de desconfiança no Parlamento britânico, que poderia derrubá-lo do cargo, por 211 votos favoráveis e 148 contra.

Johnson recebeu 58,8% de apoio do seu partido, o Conservador. Mas 41,2% dos parlamentares do grupo votaram contra sua permanência.

A votação ocorreu em meio ao escândalo conhecido como "Partygate", de festas que ocorreram em gabinetes do governo e até no jardim da residência oficial do primeiro-ministro em pleno lockdown, durante a pandemia do coronavírus.

A permanência de Johnson no cargo passou a ser mais fortemente contestada depois que foi publicado, em maio, o relatório de Sue Gray, funcionária pública responsável por investigar acusações de violações de regras sanitárias por funcionários do governo.

O relatório confirmou que várias festas ocorreram durante a pandemia, algumas com a presença de Johnson, quando o restante do país vivia sob restrições impostas pelo próprio governo.

O documento de 60 páginas afirma que as celebrações que violaram regras para combater a covid-19 contrariaram as orientações relacionadas à crise sanitária na época e envolveram, ao todo, 83 pessoas ligadas ao governo.

Gray apontou ainda para a existência de "falha de liderança", "consumo excessivo de álcool" e "vários exemplos de falta de respeito com funcionários da segurança e da limpeza".

- Texto originalmente publicado em http://bbc.co.uk/portuguese/internacional-62058517

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