Boris Johnson é acusado de politizar atentado de Londres

O premiê britânico, Boris Johnson, no programa The Andrew Marr Show, da BBC, em 1º de dezembro de 2019

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, comprometeu-se, neste domingo (1º), a instaurar sentenças mínimas e a abolir as liberdades provisórias para condenados por terrorismo, na esteira de um ataque em Londres.

Johnson disse querer instaurar uma pena mínima de 14 anos para crimes terroristas. Após fazer o anúncio, foi acusado de oportunismo pela oposição.

Dois dias depois de um ataque a faca que deixou dois mortos na London Bridge na sexta-feira, o premiê responsabilizou os trabalhistas pela lei que permitiu a liberdade provisória automática do agressor.

"Este sistema tem que acabar. Repito: tem que acabar", declarou Boris Johnson em um ato de campanha pelas eleições legislativas de 12 de dezembro.

"Se condenam alguém por uma infração terrorista grave, tem que ter uma condenação obrigatória mínima de 14 anos, e alguns não deveriam sair", frisou.

"Para todas as infrações terroristas e extremistas, a condenação ditada pelo juiz tem que ser efetivamente cumprida. Estes criminosos devem cumprir sua pena, sem exceção", declarou Johnson, segundo a imprensa local.

O premiê garante que estas medidas teriam permitido evitar o ataque, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico. "Me deem uma maioria e eu vou protegê-los do terrorismo", prometeu.

O autor do ataque foi identificado como o britânico Usman Khan, de 28 anos, que havia sido condenado por crimes terroristas em 2012. Foi posto em liberdade condicional automaticamente, após cumprir seis anos de prisão.

Khan lançou um ataque durante uma conferência sobre a reabilitação dos presos, da qual participava. O evento foi organizado pela Universidade de Cambridge em um prédio perto da London Bridge, onde aconteceu o atentado. Vários pedestres perseguiram Khan, que acabou sendo abatido pela polícia.

Na entrevista à rede BBC, Boris Johnson indicou que outras 74 pessoas condenadas por terrorismo e que se beneficiaram de uma liberdade antecipada, como a de Usman Khan, estão sendo vigiadas desde o atentado.

Seus adversários políticos criticam-no, porém, por usar o atentado como arma eleitoral, propondo medidas que não estavam no programa apresentado em novembro.

"Em meio a eleições, não deveria capitalizar uma tragédia politicamente, e é o que ele faz", condenou o vice-presidente do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, em declarações à rede Sky News.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, comentou que nem sempre é necessário manter presos condenados por terrorismo e que "depende das circunstâncias".

"Nenhum governo pode evitar todos os ataques", afirmou, em um comício de campanha em York, mas o governo "pode agir para que estes atos terroristas sejam menos prováveis".

O ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab, saiu em defesa dos conservadores.

"Ninguém pode pensar que tomar medidas necessárias para proteger o público" é um uso político da situação, disse ele à Sky News.