Boris Johnson revela programa eleitoral com prioridade para o Brexit

Por Pauline FROISSART
Primeiro-ministro conservador britânico Boris Johnson

Primeiro realizar o Brexit e depois virar a página da austeridade: o primeiro-ministro conservador Boris Johnson revelou neste domingo (24) seus planos em caso de vitória nas eleições de 12 de dezembro no Reino Unido.

Para Boris Johnson, essas eleições - terceiras em quatro anos - são a única saída do impasse do Brexit, que divide o país desde o voto dos britânicos em um referendo em 2016.

"Vamos realizar o Brexit e, assim, poderemos nos concentrar nas prioridades dos britânicos", disse Boris Johnson, aclamado por seus apoiadores ao chegar a uma sala de conferências em Telford, em West Midlands (centro da Inglaterra).

Na tentativa de convencer os eleitores, ele promete um "presente de Natal antecipado" se for reeleito: o retorno ao Parlamento no próximo mês do projeto de lei sobre o acordo de retirada da União Europeia que ele negociou com Bruxelas, com o objetivo de um Brexit no final de janeiro.

O líder conservador promete aos eleitores fazer do Reino Unido "o melhor lugar na Terra", "com ruas mais seguras e um ar mais puro", se obtiver uma maioria.

"Alcançaremos a neutralidade de carbono até 2050 e a neutralidade de Corbyn no Natal", declarou, em referência ao seu rival trabalhista Jeremy Corbyn.

Este programa "concretizará o Brexit e nos permitirá avançar e liberar o potencial de todo o país", ressaltou.

Em um gesto para os contribuintes, Boris Johnson está comprometido em garantir que os impostos de renda, de seguro nacional e IVA não aumentem sob um governo conservador.

Os deputados britânicos se reunirão novamente na terça-feira, 17 de dezembro, para o início de uma nova sessão parlamentar, deixando pouco tempo para a consideração do projeto de retirada da UE, que não poderá ser ratificado antes do Natal.

Mas com este anúncio, Boris Johnson enfatiza sua determinação em deixar a UE o mais rápido possível.

O Partido Conservador, que experimentou um aumento da popularidade desde que chegou ao poder, lidera as pesquisas com cerca de 40% das intenções de voto, mais de dez pontos à frente do Partido Trabalhista, o principal partido de oposição (esquerda).

Também se espera que o partido beneficie da desistência do eurofóbico Nigel Farage de apresentar candidatos do seu Partido do Brexit em mais de 300 círculos eleitorais.

No entanto, o resultado da votação é incerto e os comentaristas políticos pedem cautela.

O principal atrativo destacado por Boris Johnson nesta campanha é o acordo de saída da UE que ele renegociou e que deve permitir ao país recuperar o controle de suas leis, dinheiro e sua política de migração.

Seu principal concorrente, o líder trabalhista Jeremy Corbyn, se chegar ao poder, conta negociar um novo acordo de Brexit dentro de três meses para submetê-lo aos eleitores em um referendo onde os britânicos também teriam o escolha de cancelar o Brexit.

Boris Johnson também tem seus pontos fracos, especialmente os anos de austeridade enfrentados pelos britânicos sob diferentes governos conservadores. Ele promete acabar com isso injetando bilhões de libras nos serviços públicos.

Compromete-se, em particular, a aumentar em 39,5 bilhões de euros (33,5 bilhões de libras) o orçamento do serviço público de saúde, o NHS, querido dos britânicos.

Também planeja "tornar as ruas mais seguras", recrutando 20.000 policiais, e está comprometido em financiar mais as escolas.

Sobre a questão migratória, Boris Johnson prometeu acabar com a livre circulação de pessoas e controlar a imigração com um sistema de pontos no modelo australiano.