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Boris Johnson ultrapassa moção de censura e continua no cargo

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O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, resistiu a uma moção de censura interna no Partido Conservador ao conseguir 211 votos de apoio. Numa votação secreta realizada esta segunda-feira no edifício do Parlamento em Londres, 211 deputados do Partido responderam sim à questão: “Ainda tem confiança em Boris Johnson como líder?”, enquanto 148 responderam que não.

"Agora é possível seguir em frente e focar nos assuntos que importam para as pessoas."

Johnson precisava uma maioria de 180 votos ou mais entre 359 deputados. A moção de censura ["vote of no confidence"] ao líder do Partido Conservador foi convocada esta manhã, após dezenas de deputados terem manifestado descontentamento.

Boris Jonhson fala de uma resultado "convincente e decisivo" e afirma que "agora é possível seguir em frente e focar nos assuntos que importam para as pessoas".

O líder do partido da posição, Keir Starmer, diz que os membros do partido conservador que votaram para que Boris Johnson continue no cargo "escolheram ignorar o povo britânico" e passam a mensagem de que "infringir a lei não é impedimento para a fazer.".

É o respirar de alívio de Boris depois de sete meses de debate sobre a polémica partygate, as festas privadas em Downing Street que envolviam o primeiro-ministro e outros membros do governo. Convivios em pleno confinamento, em pico de pandemia. Boris Johnson foi pressionado para se demitir. Pediu desculpa mas sempre disse que os encontros nos escritórios do governo não eram razão para sair do cargo.

Foram emitidas 126 multas depois da investigação _partygate._O escândalo foi apontado como a principal causa de insatisfação interna, mas alguns deputados levantaram outras questões relacionadas com políticas do Governo.

As regras ditam que, se uma moção de censura fracassar, o líder do Partido fica imune a nova tentativa durante um ano, mas vários comentadores e políticos sugeriram hoje os regulamentos podem ser alterados.

Porém, a revolta poderá ter feito estragos na liderança e a contestação interna poderá voltar depois de 23 de junho, se o Partido Conservador perder duas eleições parlamentares parciais consideradas indicativas do sentido da opinião pública no norte e sul de Inglaterra.

Os 148 votos contra são superiores à insurgência de 117 deputados (37%) que Theresa May enfrentou em 2018, na sequência da qual se manteve em funções, acabando contudo por demitir-se quatro meses depois.

A amplitude da margem é considerada crucial para avaliar as perspectivas do chefe do Executivo durante o resto do mandato até às próximas eleições, previstas para 2024.

Boris Johnson tem agora um ano de imunidade. Não pode ser alvo de outra moção até 2023. Mesmo assim, o primeiro ministro tem outro desafio: Continuar a governar com 39% dos deputados do próprio partido a quererem que saia do cargo.

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