Boris lança ofensiva para manter 1,5 milhão de doentes em casa

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - O governo britânico criou uma força-tarefa para manter em casa 1,5 milhão de pessoas identificadas como as mais propensas a precisarem de cuidado intensivo se forem infectadas pelo coronavírus.

O objetivo é evitar que essas pessoas sobrecarreguem o sistema de saúde -na Itália e na Espanha, as UTIs têm sido insuficientes para atender aos doentes graves, o que tem elevado o número de mortes.

Na tarde deste domingo (22), o secretário de Habitação, Robert Jenrick, afirmou que portadores de doenças (mais vulneráveis a precisar de internação se forem contaminados) serão contatados nos próximos dias pelo sistema público de saúde, avisados sobre o risco e incentivados a se isolar por três meses.

Uma rede de apoio será criada para fazer as compras necessárias daqueles que não tiverem família ou amigos próximos. Segundo o governo, farmácias, supermercados e conselhos locais entregarão remédios e alimentos nas casas dessas pessoas.

O Reino Unido manteve a política de recomendar que as pessoas mantenham isolamento, em vez de proibir a circulação e multar os que infringem as regras. Segundo o primeiro-ministro, Boris Johnson, a possibilidade de caminhar no parque ou tomar ar fresco na rua é fundamental para manter a saúde física e mental.

Boris adotou em seus comunicados diários a mesma tática usada na campanha pelo brexit, em 2016, e na eleição do final do ano passado: frases curtas, repetidas incessantemente

Neste domingo, os pódios em que Boris e seus dois secretários deram entrevista ostentavam cartazes com os slogans que o primeiro-ministro tem adotado: fique em casa, proteja o NHS (sistema público de saúde) e salve vidas.