Bosque da Memória homenageia vítimas da Covid-19 e protege área verde da cidade

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Mudas vão lembrar as vítimas da Covid-19 na cidade do Rio. O secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Cavaliere, inaugurou, neste domingo, o Bosque da Memória, que homenageia quem perdeu a vida para a doença. O espaço fica na Alameda Sandra Alvim, no Recreio dos Bandeirantes, e tem extensão de 1,38 km e área de 2,70 hectares. O decreto, que será publicado nesta segunda-feira, protegerá a área contra novas construções.

— Essa iniciativa dá uma mensagem muito solene de homenagem às pessoas que se foram, aos cariocas que a cidade perdeu. E a gente consolida uma área verde, trazendo os moradores do entorno, mais de duzentas famílias, que decidiram homenagear os seus entes queridos, plantando mudas aqui — ressaltou o secretário. — O decreto de amanhã irá consolidar o Bosque da Memória da Alameda Sandra Alvim, delimitando essa área, que agora vira um espaço protegido, o maior corredor verde urbano da cidade, passando a ser, definitivamente, não edificante. O trecho vai da Jarbas de Carvalho, passando pela Geremário de Carvalho até a Avenida das Américas — afirmou.

Com vegetação de restinga, incluindo mudas de bromélias e ipês, o plantio na área passará a ser orientado pela Secretaria municipal de Meio Ambiente, órgão responsável pelo projeto paisagístico, e pela Fundação Parques e Jardins. A primeira iniciativa de cuidar da área, no entanto, partiu de uma moradora da região, a arquiteta Isabelle De Loys.

— Moro aqui no Recreio há 12 anos e essa área, que é colada à minha casa, estava ameaçada pela iniciativa privada de virar uma rua já há muito tempo. Quando eu soube disso, adotei este espaço, através do projeto Adote.Rio, da Parques e Jardins, e comecei a fazer vários projetos de revitalização justamente para mostrar que o cidadão pode se apropriar do espaço público e torná-lo melhor — conta a arquiteta.

Agora Isabelle vai contar com ajuda de outras famílias na manutenção do espaço:

— Aqui era um lugar abandonado, não tinha absolutamente nada e, hoje, quando você anda por aqui, percebe como os moradores podem transformar a cidade. Meu primeiro plantio foi de 150 mudas, fiz vários mutirões de plantação e de limpeza, e, pouco a pouco, comecei a catalizar essas pessoas todas. Agora, com o Bosque da Memória, consegui reunir duzentas famílias, que agora também vão ajudar a cuidar deste espaço. Aqui temos espécies como ipês branco, rosa e amarelo; paineiras amarelas e brancas; goiaba; pau-brasil; araçá; e amora.

O estudante de enfermagem Fábio Machado Araújo, de 28 anos, morador da Barra da Tijuca, participou da cerimônia de inauguração e plantou mudas de ipê amarelo.

— Eu perdi alguns amigos ao longo desta pandemia, e não tem como deixar de lembrar de todas as pessoas que foram embora nesse período. Plantar mudas em homenagem a elas é uma tentativa de transformar o luto em algo positivo. Além disso, com essa iniciativa, criamos um corredor verde, com um espaço público de consciência revitalizado — diz.

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