Botafogo: Conselho Deliberativo vota criação de empresa para gerir futebol

Igor Siqueira
Nelson Mufarrej, presidente do Botafogo

O Botafogo dará nesta quinta-feira um passo crucial para a transformação da gestão do futebol em modelo empresarial. A estratégia de apresentação da proposta na reunião que começa às 19h é clara: mostrar a situação grave na qual o clube se encontra e convencer o Conselho Deliberativo a dizer sim à nova configuração administrativa, que abre as portas para investidores. A expectativa é pela aprovação na votação.

— É um passo importante fazermos esse clube-empresa. Precisamos consolidar junto aos conselheiros. Vamos passar os números do estudo — disse o presidente Nelson Mufarrej.

Mesmo que a posição do Conselho seja positiva, o processo de transformação do clube ainda precisa cumprir outro rito: aprovação na assembleia geral de sócios. Os dirigentes planejam colocar o assunto em pauta ainda neste mês para que o registro do Botafogo S.A. seja feito nas entidades que organizam as competições (Ferj e CBF) antes que os torneios comecem.

Em General Severiano, a apresentação será conduzida por Laércio Paiva, líder do plano de negócios alvinegro. O presidente Mufarrej também deve discursar e haverá espaço para perguntas e respostas. A estruturação das ideias passará primeiro pelo cenário atual e pelas possibilidades trazidas pelo formato de empresa. Membros do grupo que discutiu os rumos do projeto batem na tecla de que a situação alvinegra para 2020 beira o inviável.

— A folha salarial vai ter que ser em torno de R$ 1 milhão. Não podemos ficar inventando sem dinheiro. E estou pensando no Estadual porque não sabemos se estaremos vivos no Brasileiro — disse ao GLOBO o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, um dos integrantes do conselho do futebol e do grupo que debateu a transformação em empresa.

Com a aprovação nas instâncias internas do Bota os dirigentes esperam atrair de forma concreta o interesse dos investidores. O eventual futuro administrador do clube terá direito a gerir todas as propriedades relacionadas ao futebol, que passam pelos direitos econômicos de jogadores, o estádio Nilton Santos, as categorias de base e o CT.

Antes de buscar em contratações, a proposta é que o investidor ataque o problema das dívidas, cobrindo o passivo alvinegro para evitar problemas com os credores.