Botafogo: Luís Castro pede participação de jogadores em pautas sociais: 'pagamos impostos para que nos ofereçam o que devemos ter direito'

A pressão é um sentimento que Luís Castro, técnico do Botafogo, se acostumou a conviver. No entanto, se engana quem acha que ela vem do futebol. Em entrevista ao GLOBO onde falou sobre a profissão, o alvinegro e até a morte, o português revelou que o que mais o pressiona na vida é ele mesmo. Por outro lado, Castro, que gosta de se preocupar apenas com o que pode controlar, como por exemplo a maneira que sua equipe se portará em campo hoje, às 19h, contra o Corinthians, também se vê na obrigação de viver com outro tipo de pressão.

Entrevista: Luís Castro fala sobre profissão, o Botafogo e até a morte: 'Não desfruto o futebol, não consigo’

— Essa pressão (pelos resultados) é diferente daquela que é realmente importante, que é haver milhões de pessoas no Brasil com fome. Isso é pressão de todos nós. Agora, pressão quando eu perco um jogo? Que pressão? Os jornalistas se preocupem com essa, mas também com a outra. Falem tantas vezes da pessoa que deve ter um país que tem milhares de pessoas com fome quanto quando um treinador perde. É só esse ajuste que acho que deve ser feito na sociedade. Perante isso, acho que não tem pressão nenhuma (sobre seu trabalho) — desabafou o técnico.

Há quatro meses no Rio de Janeiro, Luís Castro não se sente confortável para avaliar o momento do país. No entanto, com trabalhos na Ásia e na Europa, como a Ucrânia, o treinador analisa com pessimismo a situação global. Por isso, Castro frisa a importância do engajamento geral da população nos problemas sociais. E faz sua parte. Retrato disso é que o técnico foi flagrado recentemente ajudando um morador de rua após ser abordado pelo homem, que vestia camisa de um time rival, na chegada a um hotel onde o elenco alvinegro ficaria concentrado.

Panorama Esportivo: Textor volta ao Rio em agosto e encontro com governador está em pauta

— É uma questão educacional. Todos devem se sensibilizar. O futebol tem muito dinheiro dentro dele, e isso tem que ser encaminhado para as causas sociais. Há muita gente que faz muito bem a sociedade e ninguém sabe, porque não é necessário fazer propaganda para fazer o bem. Não podemos socorrer todos, mas podemos trazer para nós alguns dos problemas dos outros e socorre-los. Acho que essa consciência que todos devem ter e que devia também ser uma preocupação por parte dos clubes, que deviam estar nessas ações sociais de forma muito mais assídua. Esse é o papel social do futebol e deve estar na sociedade, sim. Acredito que no futuro possa estar, porque não acredito que o mundo vai se livrar de todos esses problemas — afirmou.

Mas mesmo pensando dentro de uma escala global, é impossível não absorver mais os casos e as realidades que assistimos de perto. Assim como enfatizou a questão alimentar no Brasil — o país voltou ao Mapa da Fome da ONU com 33 milhões de brasileiros em situação de não ter o que comer —, Luís Castro também lembrou a guerra da Ucrânia, por conta da invasão russa, e o problema da falta de empregos em Portugal, onde moram a esposa e as duas filhas do treinador.

Raio-X do Botafogo: jovens, mulheres e nordestinos são desafios para John Textor aumentar tamanho da torcida

— Falar da guerra da Ucrânia é falar de uma guerra sem sentido que deve preocupar a humanidade. Isso são problemas gravíssimos. Em Portugal, o desemprego, a falta de oportunidades para jovens, que saem do país para trabalhar. Nós pagamos os nossos impostos para que os países nos ofereçam determinadas coisas que devemos ter direito. Educação, saúde e habitação são três coisas fundamentais — analisou Castro. — Vermos o sofrimento humano é uma coisa difícil de aceitar sempre. Acho que isso deve pressionar a sociedade e os líderes mundiais. Toda gente deve se voltar para esse caminho, de igualdade, oportunidades iguais para todos. Acho que o mundo deve dar oportunidades às pessoas, e muitas vezes dá-se a uns e não a outros de forma discriminatória. Isso pra mim é uma pressão grande.

Conhecido há décadas como o "país do futebol", o Brasil tem no esporte um importante aliado como estratégia de conscientização para que esses problemas sejam colocados em pauta. Dessa forma, os jogadores, principais personagens desse universo, são fundamentais. É o que diz o técnico do Botafogo.

Alvinegro no top 5: Do Flamengo ao Bragantino, veja ranking das torcidas visitantes no Brasileirão

— Acho que podem (jogadores) fazer uma conexão de forma muito fácil entre esses problemas, porque são quase sempre são referências para muitos milhares de pessoas. Muitos são capacitados para sensibilizarem os outros a terem essas atenções. O futebol deve ter esse lado social de forma mais vincada. Deve ser uma preocupação — apontou.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos