Botos-cinza são flagrados por pescadores na Baía de Guanabara

Botos-cinza foram flagrados próximo a Ilha de Paquetá no último domingo

No último fim de semana, imagens de botos-cinza nadando nas águas da Baía de Guanabara, nas proximidades da Ilha de Paquetá,  no Rio de Janeiro, foram compartilhadas por pescadores nas redes sociais. A espécie que faz parte do brasão do município está ameaçada de extinção e não é mais vista circulando livremente com tanta frequência no local. Além de fatores naturais, as medidas restritivas impostas pela pandemia do novo coronavírus podem explicar a presença ilustre.

No último fim de semana, imagens de botos-cinza nadando nas águas da Baía de Guanabara, nas proximidades da Ilha de Paquetá,  no Rio de Janeiro, foram compartilhadas por pescadores nas redes sociais. A espécie que faz parte do brasão do município está ameaçada de extinção e não é mais vista circulando livremente com tanta frequência no local. Além de fatores naturais, as medidas restritivas impostas pela pandemia do novo coronavírus podem explicar a presença ilustre.

- O segundo fator é processo de hidrodinâmica da Baía de Guanabara. Estudos do geógrafo Elmo Amador, fundador do Baía Viva, comprovaram que há uma renovação periódica das águas da Baía. Aproximadamente  a cada 15 dias, com a entrada da água do oceano, a Baía lança no mar parte dos poluentes presentes na água.

Segundo ele, o terceiro motivo é a redução significativa de embarcações no local:

- Estima-se que cerca de 10 mil navios e rebocadores da indústria petroleira trafegam anualmente na Baía. Além do risco de vazamento de óleo, essas embarcações provocam um revolvimento no subsolo marinho, o que deixa a água turva, e os motores constantemente ligados causam uma poluição sonora que afasta vida marinha. Isso tudo explica as águas mais límpidas e a presença dos animais nesse momento - explica.

O programa de Mamíferos Aquáticos (Maqua) da Universidade do Estado do Rio de janeiro (Uerj) aponta que a atual população de botos-cinza da Baía de Guanabara é a menor já registrada. Na década de 1990, existiam 800 animais da espécie nas águas da Guanabara e, atualmente, são apenas 28.

Segundo o coordenador do projeto, José Lailson Brito Junior, que também é professor da Uerj e acompanha a vida dos botos na Guanabara desde a década de 1990, poluentes de três tipos são os que mais influenciam na taxa de mortalidade da espécie. Os conjuntos de pesticidas, o bifenilo policlorado (óleo encontrado em capacitadores e transformadores de energia), e o hidrocarboneto policíclico aromático (presente em combustíveis, petróleo bruto e carvão) que atingem o ambiente marinho através de vazamentos são os mais críticos.

Para Sérgio Verde, é importante que população e governantes aproveitem o período de pandemia para rever hábitos de consumo e políticas públicas que prejudicam o meio ambiente. Ele espera que a presença de animais, não apenas na Baía como em diversos pontos da cidade, sensibilize mais pessoas em relação a causas ambientas.

- Ambientalistas alertam há pelo menos 40 anos sobre a possibilidade de vivermos pandemias como essa. Todos esperamos que ao fim desse período ocorram mudanças profundas no modo de vida das pessoas. A população precisa se perguntar qual deve ser o uso da Baía de Guanabara. Um lar para animais, epaço de pesca, ou estacionamento de embarcações e repositório de poluentes? Precisamos de mudanças nessa visão econômica atual de um crescimento sem limites que vem devastando o planeta - alerta.