Boulos critica orçamento deixado por gestão Bolsonaro: 'situação catastrófica'

Boulos integra a equipe de cidades na transição de governo eleito; Deputado federal criticou orçamento desestruturado deixado por Bolsonaro - Foto: REUTERS/Paulo Whitaker
Boulos integra a equipe de cidades na transição de governo eleito; Deputado federal criticou orçamento desestruturado deixado por Bolsonaro - Foto: REUTERS/Paulo Whitaker
  • Boulos critica Orçamento 2023 proposto pelo governo Bolsonaro;

  • Segundo o deputado eleito, a situação financeira do Brasil é "catastrófica";

  • Ele afirma que falta verba e que não dá para fazer obras até 10 de janeiro.

O deputado federal eleito Guilherme Boulos (PSOL) criticou o Orçamento proposto pelo governo Jair Bolsonaro (PL) para 2023 e disse que a situação financeira do Brasil é “catastrófica”. Segundo ele, a falta de recursos impede a realização de obras até 10 de janeiro.

"A questão orçamentária é a base de tudo. Bolsonaro deixou um orçamento fictício para 2023. Nas reuniões que estamos tendo, inclusive com ministros do Bolsonaro, a situação é catastrófica. Para moradia, para manter obras em andamento, precisaria de R$ 1,2 bilhão. Esse número não é meu, é do ministério. Eles deixaram na previsão orçamentária R$ 50 milhões. Não dá para fazer obras até o dia 10 de janeiro", disse ao UOL nesta terça-feira (6).

Boulos faz parte da equipe de transição de governo e é um dos membros do grupo técnico de cidades. Ele afirma que o problema orçamentário, no entanto, não tem afetado apenas sua área, mas várias outras. “Tenho conversado com outros grupos de trabalho e a situação é parecida", comenta.

A solução, de acordo com o deputado eleito, é aprovar a PEC da Transição, que visa abrir espaço no Orçamento para garantir o pagamento de benefícios sociais, como o Auxílio Brasil – que voltará a se chamar Bolsa Família.

"Você tinha uma previsão no orçamento de R$ 105 bilhões para o Bolsa Família em 2023, que é o Auxílio de R$ 400 por pessoa. Com auxílio de R$ 600 e mais R$ 150 por criança, você chegaria a R$ 175 bilhões. A PEC tira esses R$ 175 bilhões integralmente do teto, e aqueles R$ 105 bilhões do orçamento se tornam espaço fiscal para cobrir esses rombos e garantir investimentos básicos", explica.

A PEC foi discutida hoje na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. O relator, senador Alexandre Silveira (PSD), propôs alterações, como vigência de dois anos, em vez de quatro, mas manteve os R$ 198 bilhões fora do teto de gastos.

Em ocasião passada, Boulos também comentou que faltavam recursos para saneamento, combate a enchentes e habitação popular no Orçamento de 2023.

PSOL na base do governo

Durante a entrevista, Boulos também confirmou sua pretensão de se lançar como candidato à prefeitura de São Paulo em 2024, mas frisou que, até lá, seu foco será em ajudar a “reconstruir o Brasil” como deputado.

Ele ainda destacou que a declaração de Sâmia Bomfim, líder do PSOL na Câmara, sobre o partido ser oposição ao governo Lula não representa a maioria dos membros da legenda.

"Seria uma insanidade o Psol se colocar na oposição ao Lula. Hoje a oposição são bolsonaristas que estão acampados em quartéis e não reconhecem o resultado da eleição. Psol fez parte da frente ampla que ajudou a eleger Lula. O PSOL deve compor base do governo. A Sâmia expressou opinião dela e do grupo político dela dentro do partido, mas não acredito que essa posição vai permanecer", ponderou.

Na visão do parlamentar eleito, o PSOL terá posição independente do PT – como a decisão de não apoiar a reeleição de Arthur Lira (PP) para a presidência da Câmara – mas que isso não impede o partido de fazer parte da base do governo eleito.