Boulos diz que Covas adota discurso de Bolsonaro ao acusá-lo de radical

Sérgio Roxo
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SÃO PAULO -- O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, acusou nesta segunda-feira, primeiro dia do segundo turno na eleição paulistana, o adversário Bruno Covas (PSDB) de recorrer ao discurso do bolsonarismo por tê-lo acusado de radical em seu pronunciamento na noite de domingo. Boulos ainda afirmou contar com o apoio de Lula na reta final da eleição, mas colocou o ex-presidente no mesmo patamar de outras lideranças "progressistas".

Questionado se via uma estratégia de Covas de pintá-lo de radical, Boulos partiu para o ataque:

— Esse discurso de me chamar de extremista, de radical, é o discurso do bolsonarismo. É o discurso do ódio. O Bruno Covas aderir a isso por conveniência eleitoral só o diminui. Só faz com que ele se comporte como alguém menor nesta eleição, que vai mudando seu discurso de acordo com o vento para tentar ganhar voto de A ou B. Ele quer o voto bolsonarista e quer me atacar a partir disso, é triste ver o Bruno Covas cair nessa cilada — afirmou.

Como havia feito na véspera, Boulos voltou a dizer que "radicalismo é ter pessoa passando fome na miaor cidade do país".

Boulos também afirmou que o projeto de Covas e do PSDB "alia elitismo com roubalheira" e atacou o vice da chapa do tucano, o vereador Ricardo Nunes (MDB).

— Eu não escondo aliado, eu não escondo vice. A minha vice é a Luiza Erundina, a melhor prefeita que a cidade já teve. O vice do Bruno Covas é um vereador suspeito de envolvimento com a máfia das creches na cidade. São algumas das diferenças que vão mostrando qual o lado de cada.

O candidato contou ter recebido as ligações dos candidatos Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB) após a divulgação do resultado da eleição. Indagado se contava com o apoio do ex-presidente Lula no segundo turno, respondeu:

— Eu espero construir neste segundo turno, uma frente em defesa da justiça social, da democracia e do combate à desigualdade em São Paulo. Nessa frente eu espero poder contar com lideranças nacionais, lideranças da cidade, movimentos sociais, partidos políticos do campo progressista comprometidos com o povo, entre eles evidente o presidente Lula, mas muitas outras lideranças que tenham compromisso com o projeto que a gente está apresentando para São Paulo.

No primeiro compromisso do segundo turno, Boulos visitou a comunidade do Morro da Lua, na Zona Sul, local onde o PSOL realizou a convenção que o indicou candidato. Por orientação da equipe jurídica, o líder sem-teto não fez caminhada no bairro. O entendimento é que até as 17h de segunda-feira ainda valem as restrições de campanha semelhante aos do dia da eleição.