Boulos e França cobiçam ministério e antecipam disputa por Prefeitura de SP

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 11.08.2022 - Fotomontagem de Guilherme Boulos e Márcio França. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 11.08.2022 - Fotomontagem de Guilherme Boulos e Márcio França. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) e o ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB-SP) são cotados nos bastidores para assumir o futuro Ministério das Cidades, num cenário que tem impacto na briga pela Prefeitura de São Paulo em 2024.

Ambos foram nomeados para atuar no grupo temático da transição sobre o assunto. Na campanha, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que era necessário recriar o Ministério das Cidades para tratar dos "problemas urbanos" do país.

A pasta foi extinta pelo presidente, Jair Bolsonaro (PL). No início do mandato, fundiu Cidades e Integração Nacional ao Ministério do Desenvolvimento Regional.

A definição de Lula por Boulos ou França deve ter reflexo na eleição municipal de São Paulo, uma vez que PSOL e PSB têm pré-candidatos ao cargo.

A futura pasta das Cidades é desejada por ter orçamento bilionário e responder por obras de moradia, saneamento e transporte.

Boulos acredita que a pasta lhe daria vitrine importante para disputar a prefeitura de São Paulo em 2024 -e que a nomeação seria positiva por ser um ministério que trata de moradia, área em que militou.

Já o PSB mira posições de relevância no governo e acredita que Cidades ajudaria a alavancar a imagem do partido.

Na avaliação da sigla, a pasta terá grande visibilidade e será uma arma poderosa do ponto de vista político. A ideia é lançar a deputada Tabata Amaral (PSB) para a prefeitura.

Embora França indique nos bastidores preferir outro ministério, como o da Indústria e Comércio -que também deverá ser recriado por Lula-, integrantes do PSB e do PT avaliam que é possível a pasta das Cidades ser oferecida ao dirigente socialista.

França era pré-candidato ao Governo de São Paulo e abriu mão da disputa para apoiar Fernando Haddad (PT-SP). Foi também um dos responsáveis pela articulação que levou Geraldo Alckmin (PSB) a ser escolhido como vice de Lula.

Ele acabou se lançando ao Senado, mas foi derrotado pelo ex-ministro bolsonarista Marcos Pontes (PL).

Pessoas próximas de França dizem nos bastidores há um acordo para que ele ocupe algum posto no primeiro escalão do governo federal.

Além de Cidades, outra possibilidade aventada é que seja indicado para o Ministério de Ciência e Tecnologia. No entanto, França tem indicado em conversas reservadas que prefere Cidades ou Indústria e Comércio.

Petistas, porém, reclamam de antemão da possibilidade de França ser ministro em função de outros cargos que o PSB já deverá ter no governo.

Além de Alckmin na vice-presidência, é dado como bastante provável que o senador eleito Flávio Dino (PSB-MA) será ministro da Justiça. Em busca de espaço, pessebistas alegam que Dino seria um nome da cota pessoal do presidente, e não do partido.

Por outro lado, integrantes do PT reclamam que o PSB elegeu 14 deputados e não tem tamanho suficiente para ser beneficiado com tantos cargos na Esplanada. Mesmo assim, o nome de França é tratado como uma opção forte no páreo de ministeriáveis.

Em 2020, ele e Boulos se enfrentaram na eleição para prefeito de São Paulo. França fez 13,6% contra 20,2% do psolista, que foi ao segundo turno, mas não se elegeu.

Desde então, Boulos acredita que, com o apoio do PT, tem chance de brigar para vencer em 2024. Na noite de 30 de outubro, depois de perder o Governo de São Paulo para Tarcísio de Freitas (Republicanos), Haddad "inaugurou" a disputa pela prefeitura da capital paulista ao reiterar seu apoio a Boulos para o próximo pleito municipal.

Além dele e de Tabata, há ainda outros dois nomes colocados: o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o ex-ministro Ricardo Salles (PL).

A disputa pelo Ministério das Cidades -e depois pela Prefeitura de SP- entre os nomes do PSB e PSOL também tem potencial de colocar em lados opostos Alckmin e o partido de Lula.

França é muito ligado ao vice eleito, que trabalha para o aliado ocupe um papel de destaque no governo.

Lula afirma em conversas reservadas que quer dar bom espaço para Boulos e França. Por um lado, vê o socialista como um nome importante para a articulação política do Executivo. Por outro, Boulos é considerado como um dos líderes mais populares que surgiu na esquerda nos últimos anos.

Além disso, é figura-chave para manter o PSOL na base do governo. Apesar de o PSOL não ser um dos partidos com mais deputados da Câmara, tem representatividade na esquerda.

A instituição de um grupo de trabalho na transição sobre cidades é um indício da intenção de Lula de recriar um ministério com essa atribuição na Esplanada.

A pasta foi instituída pelo próprio Lula em 2003, quando ele tomou posse pela primeira vez como presidente.

Na época, foi escolhido para comandar o órgão o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra. O gaúcho ficou no cargo por pouco mais de um ano e foi substituído por Márcio Fortes.

Na ocasião, Lula fez a mudança para ampliar o espaço do PP no governo e reforçar a base aliada no Congresso.

O ministério é muito cobiçado porque deverá estar na sua alçada, entre outras políticas públicas, o Minha Casa Minha Vida. O projeto de habitação para população de baixa renda foi uma das principais vitrines dos governos do PT.

No governo Bolsonaro, o programa foi rebatizado de Casa Verde e Amarelo.

Na campanha, Lula prometeu retomar o projeto. "Uma das melhores coisas que fizemos foi criar o Ministério das Cidades, e foi através do Ministério que dizemos muita coisa, sobretudo para o povo da periferia. Nós vamos não só recompor o ministério das Cidades como vamos retomar o Minha Casa Minha Vida com muita força", disse.