Boulos lança pré-candidatura ao governo de SP em 2022: 'Derrotar o tucanistão'

Redação Notícias
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Presidential candidate Guilherme Boulos, representing the Liberty and Socialism Party, speaks at the Brazilian Association of Infrastructure and Basic Industries (ABDIB) forum, in Sao Paulo, Brazil, Monday, Aug. 20, 2018. Brazil will elect a new president on Oct. 7. (AP Photo/Andre Penner)
O ex-candidato à presidência da República em 2018 pelo PSOL, Guilherme Boulos, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo que está "disposto a assumir o desafio de disputar o governo de São Paulo em 2022" (Foto: AP Photo/Andre Penner)
  • Ex-candidato à presidência da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo que está "disposto a assumir o desafio de disputar o governo de São Paulo em 2022"

  • Boulos disse estar animado para acabar com o que chamou de "Tucanistão", que, segundo ele, é a sucessão de governos tucanos do PSDB no estado paulista

  • O também líder do MTST defendeu a CPI da Pandemia, dizendo que acha "fundamental para apontar crimes de responsabilidade contra Bolsonaro"

O ex-candidato à presidência da República em 2018 pelo PSOL, Guilherme Boulos, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (13), que está "disposto a assumir o desafio de disputar o governo de São Paulo em 2022".

Boulos, que também disputou o segundo turno das eleições na cidade de São Paulo, disse estar animado para acabar com o que chamou de "Tucanistão", que, segundo ele, é a sucessão de governos tucanos do PSDB no estado paulista. "Unidade pra derrotar o tucanistão em SP", escreveu no Instagram.

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"Eu devo te confessar que tenho muita disposição de acabar com o Tucanistão. Já deu. Tem um cansaço, um desgaste do PSDB com essa mesmice tucana governando o estado há mais de 30 anos. Uma capitania hereditária com histórico de roubalheira, máfia da merenda, do metrô, do Rodoanel", disse à Folha.

Segundo o também coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), derrotar o BolsoDoria — slogan lançado pelo então candidato ao governo de SP João Doria em 2018 em alusão à parceria com o então candidato à presidência Jair Bolsonaro — em São Paulo é "muito importante".

"Muita gente me procurou depois das eleições de 2020, em que a gente teve mais de 2 milhões de votos. Lideranças partidárias, lideranças sociais, colocam esse debate sobre uma candidatura ao governo do estado", contou.

Ao ser questionado sobre uma pesquisa do Ipespe, divulgada pelo jornal Valor Econômico na semana passada, mostrando que ele aparece com 16% das intenções de voto para o governo de São Paulo, Boulos afirmou que tem visto levantamentos que "nos colocam inclusive em primeiro lugar".

"Preciso fazer naturalmente esse debate com o meu partido. Mas eu estou disposto a assumir o desafio de disputar o governo de São Paulo em 2022. E construindo uma unidade dos progressistas. Sem unidade é muito difícil derrotar a máquina do PSDB".

Durante a entrevista, Boulos falou mais de uma vez sobre a unidade do campo progressista para lançar um candidato único contra Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais do próximo ano.

O nome mais forte para disputar a sucessão presidencial, segundo ele, hoje é o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Lula já disse que pode se lançar em 2022

"Não é razoável que numa composição, numa aliança política, tenha um partido que seja a cabeça de chapa em todos os lugares, em nível nacional, em nível estadual. Não é razoável isso", afirmou.

Genocídio deliberado no Brasil

Para Boulos, o Brasil virou o "cemitério do mundo" e que, diante do governo do presidente Jair Bolsonaro, o país temo um "genocídio deliberado".

Segundo ele, a situação do país durante a pandemia do coronavírus só não é pior devido ao SUS (Sistema Único de Saúde) e devido aos "freios" colocados a Bolsonaro.

"É devastador a gente ver 4 mil pessoas morrendo por dia, ver colapso na saúde sabendo que a gente só não está pior do que isso por causa do SUS, por causa de milhares de profissionais de saúde se arriscando todos os dias. E por causa dos freios que, de algum modo, algumas instituições estão colocando ao [presidente Jair] Bolsonaro", disse.

Mobile Emergency Care Service (SAMU) workers Gabrielle Carlos, top, and Joao Vericimo, move a COVID-19 patient to an ambulance as he is transferred to a municipal hospital dedicated to COVID-19 in Duque de Caxias, Rio de Janeiro state, Brazil, Tuesday, April 6, 2021. (AP Photo/Felipe Dana)
Mobile Emergency Care Service (SAMU) workers Gabrielle Carlos, top, and Joao Vericimo, move a COVID-19 patient to an ambulance as he is transferred to a municipal hospital dedicated to COVID-19 in Duque de Caxias, Rio de Janeiro state, Brazil, Tuesday, April 6, 2021. (AP Photo/Felipe Dana)

CPI da pandemia no Senado

Boulos defendeu a CPI da Pandemia, dizendo que acha "fundamental para apontar crimes de responsabilidade contra Bolsonaro", como "ter negado a vacina, ter boicotado medidas de isolamento sanitário".

"Pode ser o primeiro passo para o impeachment. Não dá para simplesmente esperarmos [a eleição de] 2022". 

Na quinta-feira passada, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a instalação da CPI da Pandemia no Senado.

Mesmo com o recolhimento de 29 assinaturas, duas a mais que exigido pelo regimento da Casa para a instauração da CPI, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), eleito com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, vinha resistindo a instalá-la. O principal argumento de Pacheco para evitar a CPI é que a investigação irá atrapalhar o combate à pandemia.

Depois da decisão de Barroso, o presidente Jair Bolsonaro reclamou, em suas redes sociais, que a CPI “não poderá investigar nenhum governador, que porventura tenha desviado recursos federais do combate à pandemia”. Ele ainda subiu o tom e atacou Barroso.

“Barroso se omite ao não determinar ao Senado a instalação de processos de impeachment contra ministro do Supremo, mesmo a pedido de mais de 3 milhões de brasileiros. Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política”, afirmou.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia deve ser instalada nesta semana no Senado.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), deve ler na sessão desta terça-feira (13) o requerimento da instalação da CPI, que conta atualmente com o apoio de 33 senadores.

O objetivo dos senadores da minoria é apurar ações e omissões do governo Jair Bolsonaro na pandemia, como em relação ao colapso do sistema de saúde de Manaus, onde pacientes internados morreram por falta de oxigênio. O atraso na compra de vacinas também é um dos pontos que será apurado na comissão.

A abertura da investigação no Congresso bate à porta do Palácio do Planalto no momento em que o Brasil enfrenta recordes diários de óbitos pela Covid-19, sem sinais de diminuição do ritmo de contaminação ou de aceleração da vacinação.

Dessa forma, a CPI da Covid amplia a pressão sobre o governo Bolsonaro.

Dependendo do resultado da investigação no Senado, as conclusões podem ser encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal do presidente Jair Bolsonaro e/ou de outros agentes públicos, como o ministro da Saúde.

Bolsonaro pressionou para ampliação da CPI

No domingo (11), Kajuru divulgou uma gravação na qual Bolsonaro dá a entender que, se houver pedidos de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a instalação da comissão para apurar ações no combate da pandemia pelo governo federal pode ser interrompida.

O presidente também cobrou que a CPI trabalhe para apurar a atuação de prefeitos e governadores, caso instalada. Além disso, ele disse acreditar que a "CPI hoje é para investigar omissões" dele mesmo e "ponto final".

"Quer fazer uma investigação completa? Se não mudar o objetivo da CPI, ela vai vir só pra cima de mim. O que tem que fazer para ser uma CPI que realmente seja útil para o Brasil? Mudar a amplitude dela. Bota governadores e prefeitos", recomendou ao senador.

Bolsonaro tenta fazer cortina de fumaça, diz oposição

Após a divulgação das mensagens, parlamentares da oposição ao governo Bolsonaro, a conversa telefônica vazada no domingo pelo parlamentar, deixou clara a tentativa do presidente de interferir na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que deve ser instalada no Senado nesta semana.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, nesta segunda-feira (12), que o caso é gravíssimo e pode ser apurado na CPI sobre a pandemia do coronavírus.

"A conversa entre um senador e o Presidente da República articulando contra uma CPI e um ministro do STF é um fato gravíssimo. A própria CPI poderá investigar o possível crime do Presidente da República", escreveu Maia em uma publicação no Twitter.