Boxeador ucraniano bicampeão olímpico retorna aos ringues no MSG após servir na guerra pela invasão da Rússia

Neste sábado, o boxeador Vasily Lomachenko, de 34 anos, retomará um processo que já faz parte da sua vida: a preparação num dia de luta. Depois de oito meses sem usar as luvas numa disputa oficial, o ucraniano voltará aos ringues para enfrentar o americano Jamaine Ortiz, em Nova York, no Madison Square Garden. Essa será a primeira luta de Lomachenko depois de participar da guerra por conta da invasão da Rússia na Ucrânia.

Em fevereiro, quando se preparava para recuperar o cinturão de campeão mundial de peso leve, Lomachenko largou a preparação no exterior e voltou ao território ucraniano para ajudar seu país. Duas vezes medalhista de ouro olímpico, o boxeador teve dificuldades nos primeiros dias de guerra, como revelou à agência Reuters.

"Naqueles primeiros dias, os militares russos avançaram muito rapidamente, tomando uma cidade após a outra e indo para Kiev. Portanto, você não conseguia ter uma ideia clara do que poderia acontecer no dia seguinte em sua área, em sua região", falou Lomachenko.

Mas foi justamente na dificuldade que o boxeador descobriu a bravura e a determinação que os voluntários ucranianos tinham em ajudar o seu país em meio à invasão. Junto disso, Lomachenko utilizou sua experiência no ringue, que o ajudou quando estava em serviço.

"Tanto física quanto mentalmente, no boxe você precisa ter essa consciência do perigo quando está no ringue. Você tem que estar constantemente atento para se proteger, para não permitir que o oponente cause nenhum dano", disse ele. "Claro, não se pode comparar um ambiente de boxe a estar no campo de batalha, com foguetes e balas voando sobre você. Mas, ao mesmo tempo, acho que estava mais preparado em comparação com pessoas que não tinham experiência em nenhum esporte de combate, então isso me deu uma vantagem."

Envolvido com o conflito, Lomachenko afirmou que só voltou para a carreira no boxe quando sentiu que a situação nas ruas da Ucrânia já estava melhor. Além disso, o boxeador enfatizou o orgulho que sente em representar sua nação no cenário esportivo.

"Toda vez que você entra numa luta, você representa seu país, você fica atrás das cores de sua bandeira, e desta vez não é diferente. É mais uma oportunidade de mostrar ao mundo quem eu sou e chamar a atenção para a Ucrânia."

Se superar Jamaine Ortiz, Lomachenko deve ter uma oportunidade de enfrentar Devin Haney, atual dono do cinturão.