De volta para o futuro

Mauro Beting
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Renato Portaluppi treina o Grêmio desde setembro de 2016 FOTO SILVIO AVILA/POOL/AFP via Getty Images

As coisas no Brasil, algumas vezes, demoram. Mas chegam, como bem lembrou o parceiro Bruno Formiga. São os pontos corridos, a vacina, e, agora, a limitação de trocas de treinadores na Série A do BR-21.

Nada é 100%. Mas uma tentativa de impedir, coibir e minimizar esse faroeste caboclo de mexidas de bonés de técnicos vai ajudar, em médio prazo, a qualidade e os cofres dos clubes que vão deixar de pagar, por vezes, quatro treinadores ao mesmo tempo. Dirigentes que vão pensar melhor em quem contratar para o banco. Sem pendurar outras contas em outros bancos.

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Garantindo minimamente um tempo para se trabalhar, o treinador pode ter mais segurança para testar, ousar, fazer diferente. Isto é: melhorar o seu trabalho, o seu time, o nosso futebol como um tudo.

Nenhuma das grandes ligas no mundo muda tanto de treinador como a brasileira. Também não por acaso o nível de nosso futebol está ainda longe do nível de nosso futebolista pelo mundo. O treinador compra tempo no cenário feio atual jogando para não perder – e dane-se o legado e o futebol largado por isso. Não consegue plantar a semente e nem implementar suas ideias. Acaba virando um ciclo vicioso que contamina o jogo.

Os dirigentes serão obrigados a ter mais critério na contratação dos treinadores. E também no momento de demitir. Os atletas também terão que ser mais responsáveis no trato com a comissão técnica. Sabedores que, e alguns casos, não conseguirão (a princípio) “demitir” e/ou “derrubar” treinadores que não estão dando certo – e sempre lembrando que em casos “irreversíveis”, mais uma troca pode ser feita, mas com gente de dentro do clube há pelo menos seis meses contratada.

Nada é o ideal, ainda mais em tempos longe de tudo e de todos. Mas desta vez estamos no caminho certo.