BR Distribuidora detecta adulteração em gasolina de aviação, e suspende venda no país

Ivan Martínez-Vargas
·2 minuto de leitura

SÃO PAULO - A BR Distribuidora suspendeu nesta quarta-feira a comercialização de gasolina de aviação (AVGAS) para seus clientes diretos e revendedores após ter identificado que o combustível estava adulterado. A Petrobras é a única fornecedora desse tipo de produto no Brasil.

A gasolina de aviação é usada em aviões de pequeno porte, com motores a pistão. A falha no combustível, portanto, tem o potencial de afetar apenas aviões comerciais. Mesmo companhias aéreas que operam voos regulares em aviões menores, como a Azul Conecta, usam querosene para abastecer as aeronaves.

"A BR está iniciando as ações para recolhimento do produto comercializado, devolução do lote armazenado e recebimento de novos lotes, e recomendou aos seus clientes diretos e revendedores que adotem as mesmas providências, de modo a restabelecer o abastecimento no menor tempo possível", afirma o comunicado da distribuidora, que também diz ainda ter informado aos órgãos reguladores, como a ANP e a Anac, o problema.

A Anac, agência que regula a aviação civil, afirmou em nota que ainda não é possível avaliar o impacto da irregularidade no setor.

No texto, a agência afirma que recomenda aos operadores que busquem imediatamente uma oficina de manutenção aeronáutica credenciada para uma avaliação mais detalhada caso exista histórico ou evidências de contaminação, além da interrupção do abastecimento das aeronaves com o combustível potencialmente adulterado.

"Com as informações recebidas da comunidade aeronáutica e com a avaliação feita pela ANP, a ANAC poderá avaliar potenciais impactos na aviação geral. Se houver confirmação de contaminação que comprometa de imediato a operação de aeronaves, a ANAC atuará imediatamente em prol da segurança da aviação, podendo, inclusive, recorrer a medidas cautelares e emergenciais", diz a Anac.

Já a ANP diz que foi informada pela BR Distribuidora na noite de terça-feira sobre "um parâmetro fora dos limites de especificação na gasolina de aviação". Questionada pelo GLOBO, a agência não especificou qual era o problema e qual pode ser o seu efeito nos motores das aeronaves, nem informou quais podem ser as punições à Petrobras, fornecedora do combustível alterado.

A reportagem também procurou a Petrobras, mas não obteve resposta até o momento.