Braço direito de Covas emprega amigos de faculdade e de balada

Bruno Covas
Futura Press

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Braço direito do prefeito Bruno Covas (PSDB) na administração municipal, o secretário-executivo Gustavo Garcia Pires empregou um amigo de balada e cinco colegas de sua turma de faculdade na Prefeitura de São Paulo.

As nomeações foram feitas com a anuência de Covas, que, como revelou a Folha de S.Paulo, contratou também Elisabete Pires, mãe do secretário, para um cargo na SPTrans (empresa municipal). O Ministério Público abriu inquérito para investigar a admissão.

Bacharel em engenharia da computação, Daniel Oshiro Viana foi contratado em 2017 para atuar como assessor no gabinete da Secretaria das Prefeituras Regionais.

À época vice-prefeito de João Doria (PSDB), Covas acumulava o comando da secretaria. Gustavo já era importante auxiliar do tucano, sendo responsável pela organização da sua agenda de compromissos.

Desde então, Oshiro mudou três vezes de função, recebendo aumentos salariais. Hoje ele trabalha na Prodam, empresa de processamento de dados da prefeitura, como coordenador de processos.

Assim como o secretário Gustavo, priva da amizade do prefeito. No ano passado, por exemplo, ambos o acompanharam em uma viagem oficial aos EUA, onde no tempo livre assistiram a um show da banda Red Hot Chili Peppers.

Na ocasião, Covas e Gustavo participaram de evento chamado "Global Mayors Summit", em Nova York. Dias antes da viagem, Gustavo recebeu R$ 2.615 da prefeitura para gastos com alimentação e transporte. Não há registros que indiquem que a viagem de Oshiro tenha sido custeada pela prefeitura.

Fotos nas redes sociais de amigos mostram Gustavo e Oshiro aproveitando a noite novaiorquina. Em uma delas, Covas comenta: "Só avise o Gustavo que amanhã o evento começa cedo". O hoje secretário responde: "hahahaha trip histórica".

Oshiro é amigo de Gustavo há anos. Em 2015 estiveram juntos no que chamaram nas redes sociais de "carnavio" [carnaval no navio], e em diversas fotos publicadas na internet eles aparecem em festas juntos. Posteriormente, ele filiou-se ao PSDB. Ex-concierge da casa de shows Wood's Bar, na Vila Olímpia, ele também é dono de empresa de marmitas fitness congeladas.

Além do amigo e da sua mãe, o secretário Gustavo emplacou cinco colegas da Universidade Mackenzie na prefeitura. Alexandre Macaroni Nardy, Camila Abe, Vitor Zamboni, Pedro Henrique Barbieri e Leonardo Pangardi estudaram direito na mesma sala de Gustavo.

Todos entraram na administração em 2017 e, desde então, já receberam promoções e aumentos salariais. Com exceção de Camila, militam no PSDB. Filiaram-se ao partido após conhecerem Gustavo.

Em sua rede social, Pangardi, hoje assessor especial do prefeito, agradeceu ao amigo pela nomeação. "É o início de uma nova fase, muito feliz em fazer parte desse projeto. Agradeço pelo convite do meu amigo Gustavo Pires e agora vamos ao trabalho!"

Ainda que tenham recebido aumentos salariais no período, os vencimentos não são exorbitantes. Ganham menos de R$ 5.000 mensais, com exceção de Oshiro, que recebe cerca de R$ 9.000.

Todos começaram na Secretaria de Prefeituras Regionais no período em que Covas era o responsável pela pasta, entre janeiro e novembro de 2017. Depois disso, o então vice-prefeito foi deslocado por Doria para a Casa Civil e puxou alguns dos apadrinhados de Gustavo, como Camila Abe, Daniel Oshiro, Pedro Barbieri e Pangardi, sendo que os dois últimos já foram transferidos para o gabinete do prefeito depois de abril, quando Covas assumiu o comando da cidade.

Camila Abe foi exonerada em abril de 2018, antes de sair em férias prolongadas. Questionada, a prefeitura não disse se ela retornará à gestão Covas em outro cargo.

Gustavo empregou também na prefeitura a advogada Flávia Rimes Rangel, prima de Pedro Rimes, outro colega de faculdade e de balada.

Rimes foi aluno do Mackenzie, mas entrou em 2013, depois do hoje secretário, e aparece em fotos com ele e Covas em festas. Flávia foi nomeada para o cargo de assessora da Secretaria de Governo.

Gustavo Pires assumiu o posto de secretário-executivo em abril de 2018, cargo que não existia na gestão Doria. É atualmente a figura mais forte do gabinete do prefeito.

Além de cuidar da agenda de Covas, coordena projetos prioritários e, em algumas situações, atua como uma espécie de intermediário entre o prefeito e muitos secretários.

Há outros secretários-executivos no governo Covas -Fábio Lepique e Orlando Faria-, mas sem a mesma influência de Gustavo.

OUTRO LADO

Por meio de nota enviada à reportagem, a Prefeitura de São Paulo afirma que os servidores têm histórico profissional compatível aos cargos para os quais foram designados e passaram por entrevista de seleção e pela aprovação do Comap (Conselho Municipal de Administração Pública).

"Todos ocuparam ou ocupam cargos de confiança, que, nas palavras do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, 'são aqueles vocacionados para serem ocupados em caráter transitório por pessoa de confiança da autoridade competente para preenchê-los, a qual também pode exonerar livremente'".

A prefeitura diz que a atual gestão, iniciada em janeiro de 2017, reduziu os cargos em comissão de 11.125 para 7.822 (na administração direta) e de 2.689 para 2.089 (na indireta).

"É de se estranhar, entretanto, a preocupação desta Folha com as indicações feitas por um único secretário, uma vez que todos os ocupantes de secretarias têm a prerrogativa de nomear servidores de confiança para auxiliá-los", diz. "O mesmo acontece em outras prefeituras, nos governos estaduais e no federal."

A reportagem também pediu à prefeitura para conversar com os funcionários e obter um posicionamento deles, mas a solicitação não foi respondida.

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