Braço naval da Samsung faz acordo nos EUA e pagará US$ 75 milhões por suborno no Brasil

Paola De Orte*

WASHINGTON - A Samsung Heavy Industries (SHI), uma das maiores companhias de construção de navios do mundo, subsidiária do conglomerado Samsung, concordou em pagar US$ 75 milhões (cerca de R$ 314 milhões) como indenização por ter pagado milhões de dólares em subornos para intermediários no Brasil. O acordo da empresa com o Departamento de Justiça (DoJ) americano diz que metade do valor será pago ao governo dos EUA e a outra deve ficar com o governo brasileiro.

– A Samsung Heavy Industries pagou milhões de dólares a um intermediário brasileiro, sabendo que parte desse dinheiro seria usado para subornar altos executivos na Petrobrás e obter um contrato para construção de navios lucrativo. – disse o Procurador-Geral Adjunto do Departamento de Justiça, Brian A. Benczkowski.

O caso está sendo investigado pelo FBI, a as informações foram divulgadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sexta-feira. No Brasil, os órgãos que cuidam do caso são a Controladoria-Geral da União (CGU), a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério Público Federal (MPF).

Ainda de acordo com as informações do DoJ, se ao menos US$ 37 milhões (cerca de R$ 142 milhões) não forem pagos ao governo brasileiro até 25 de novembro de 2020, a outra metade deverá ser entregue ao próprio governo americano.

O governo dos EUA estava investigando os pagamentos porque a empresa de engenharia, que provê construção de navios e plataformas offshore, teria efetuado os pagamentos a partir de um braço da empresa sul-coreana em Houston, no estado americano do Texas.

A SHI admitiu à justiça americana que, desde 2007 até 2013, pagou cerca de US$ 20 milhões (cerca de R$ 83 milhões) em pagamentos de comissões para um intermediário brasileiro, sabendo que parte desse dinheiro seria pago como suborno para funcionários da Petrobrás para garantir vantagens em negócios com a empresa.

O objetivo também era fazer com que a empresa brasileira assinasse um contrato para fretar um navio-sonda que a coreana estava vendendo para uma companhia de extração offshore de petróleo sediada em Houston, o que facilitaria a venda do navio.

Em nota, Samsung 'lamenta' envolvimento

"Lamentamos profundamento o envolvimento da companhia nesses acontecimentos, que são contrários aos nossos valores e padrões éticos", afirmou, em nota, o diretor executivo da Samsung Heavy Industries, Joon Ou Nam.

Ele acrescentou que "muitos dos acontecimentos descritos no acordo aconteceram há mais de uma década, e as pessoas envolvidas não estão mais na empresa."

"Nos últimos anos, tomamos medidas abrangentes, por iniciativa própria, para fortalecer nosso programa de conformidade anti-corrupção de modo a atingir os mais elevados padrões de conformidade e ética", completou.

*Especial para O GLOBO