Braço direito de Bolsonaro que trocou mensagens sobre golpe é exonerado

A PF obteve as mensagens durante investigações sobre o financiamento de manifestações antidemocráticas

Jair Bolsonaro e Mauro Cesar Barbosa Cid (Foto: Reprodução/ Redes sociais)
Jair Bolsonaro e Mauro Cesar Barbosa Cid (Foto: Reprodução/ Redes sociais)
  • Mauro Cesar Barbosa Cid era o braço direito de Jair Bolsonaro;

  • Cid e Allan dos Santos trocaram mensagens sobre intervenção militar;

  • PF obteve as mensagens durante investigações sobre o financiamento de atos antidemocráticos.

O tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, braço direito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi exonerado nesta quinta-feira (5). Cid trocou mensagens com o blogueiro Allan dos Santos, foragido, sobre intervenção militar. As informações são do portal g1.

A Polícia Federal (PF) obteve as mensagens durante investigações sobre o financiamento de manifestações antidemocráticas.

Segundo o depoimento de abril do ano passado, Allan dos Santos enviou a Cid uma mensagem sugerindo a necessidade de intervenção militar. A resposta do militar foi: “Já te ligo”.

O tenente-coronel, no entanto, diz acreditar que não fez a ligação para o blogueiro.

No final de maio, dia 31, em outra mensagem, o blogueiro enviou um link com reportagem sobre grupos denominados Antifas [antifascistas].

No dia seguinte, o militar respondeu classificando o grupo como “guerrilheiros terroristas”. Cid disse, ainda, que “estamos voltando para 68, mas, agora, com apoio da mídia".

Na ocasião, em 1968, foi instituído o AI5, Ato Institucional Número Cinco, que previa a perda de mandatos de parlamentares que fossem contrários à ditadura militar em curso, intervenções em cidades e estados e a suspensão de direitos que culminaram em tortura praticada por militares.

Allan dos Santos afirma na mensagem que “as FFAA [Forças Armadas] precisam entrar urgentemente". Ao que o militar respondeu dizendo apenas “Opa”.

Questionado pela PF sobre o sentido da resposta (“Opa”), Cid disse que a expressão não está relacionada com as mensagens anteriores de Allan dos Santos e que se trata de uma saudação, como um "bom dia".

No entanto, em outro trecho do depoimento, ao ser indagado sobre o chamado gabinete do ódio, o militar disse que “conhece esse termo pela mídia e afirma que esse gabinete do ódio não existe”.

O militar foi questionado também acerca da conduta de Allan dos Santos no contexto político, em relação às instituições do estado, e ele respondeu que, "como jornalista, ele tem uma visão mais radical da conjuntura política brasileira".

Ainda no relato, ao ser questionado sobre se já manifestou a ideia de que as Forças Armadas são um poder moderador, o militar respondeu que não.