Bradesco prevê reduzir rede de agências em mais de um terço em 2 anos

ISABELA BOLZANI
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*ARQUIVO* Fachada de agência bancária do Bradesco. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
*ARQUIVO* Fachada de agência bancária do Bradesco. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Bradesco deve reduzir em mais de um terço a sua rede de agências entre 2020 e 2021. O corte faz parte de um plano de reestruturação de despesas que o banco já vem implementando desde o ano passado.

A estimativa para este ano é encerrar as atividades de 450 agências, afirmou o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, nesta quinta-feira (4) em entrevista com jornalistas.

Somado ao corte efetuado no ano passado, são 1.533 unidades no total -uma redução de 34,2% em relação ao tamanho da rede em 2019, que contava com 4.478 agências.

Das 450 agências previstas para encerrar as atividades neste ano, 150 correspondem a espaços físicos que serão fechados, enquanto outras 300 serão incorporadas e transformadas em unidades de negócio.

Em 2020, em números arredondados, foram cerca de 400 agências fechadas e 700 transformadas em unidades de negócio.

Segundo Lazari, o banco está reavaliando os espaços que possui e é possível que mais de 300 agências sejam transformadas em unidades de negócio.

"Esse 300 é um número pequeno, talvez seja um pouco mais. Já em relação ao fechamento de espaços, não temos um objetivo. Talvez seja algo próximo de 100 ou 150, mas isso depende da reação da economia, do volume de crédito e de outros fatores", afirmou.

O custo de uma unidade de negócio chega a ser de 30% a 40% menor do que o das agências por não contarem com gastos como de vigilante e carro forte, por exemplo.

A eficiência dessas unidades de negócio também aumenta de 20% a 30%, de acordo com o banco.

"Esse trabalho [de redução da estrutura] continua em 2021, tirando ou unindo agências que são muito próximas uma da outra, colocando em um lugar no qual o aluguel seja menor ou que tenha um melhor aproveitamento do espaço", afirmou Lazari.

Segundo o executivo, o banco paga cerca de R$ 1,7 bilhão em aluguel de agências por ano no Brasil. "Em 2020, com a alta do IGP-M [Índice Geral de Preços - Mercado], fomos renegociar os contratos. Os lugares que não aceitaram foram repensados", disse.

A reestruturação também se reflete no encolhimento do quadro de funcionários. Em relatório divulgado na quarta (3), o Bradesco apontou uma redução de 8% no número de empregados. A porcentagem responde pela demissão de mais de 7.000 pessoas em 2020.

Com relação à recuperação da economia, Lazari afirma ter boas expectativas com o andamento das reformas no Congresso. Já a valocidade da vacinação contra a Covid-19, na avaliação do executivo, não está como "todos gostariam", mas já sinaliza um cenário positivo para 2021.

"Temos convicção de que a economia entrará em terreno positivo, e o ciclo de recuperação poderá surpreender na medida que a vacinação avance com mais ritmo. Este ano será muito melhor que 2020", afirmou.

O executivo também disse que não pretende levar todos os funcionários para trabalhar presencialmente até que haja grande parte da população vacinada e níveis mais baixos nos indicadores de contágio.

"Não pretendemos voltar totalmente até que tudo isso esteja controlado. Seria imprudência", disse.

Lazari afirmou, ainda, que não pretende obrigar ou oferecer estímulos financeiros para fazer com que todos os seus funcionários optem por vacinar.

"A vida humana não tem preço. As pessoas têm que tomar a vacina por consciência e por respeito ao ser humano."