Braga Netto ameaçou “golpe” na eleição de 2022 caso não haja voto impresso, diz jornal

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BRASILIA, BRAZIL - MARCH 31: Brazil's Defense Minister General Walter Souza Braga Neto speaks during the presentation of the newly appointed military commanders for Brazil's Armed Forces, Navy commander Admiral Almir Garnier, Army commander General Paulo Sergio and Air Force commander Brigadier Carlos de Almeida Baptista Jr (not in frame) at the Ministério da Defesa on March 31,2021 in Brasilia, Brazil. President of Brazil Jair Bolsonaro announced on Monday March 28 six changes in his Cabinet that include the commanders in the three military institutions. (Photo by Andressa Anholete / Getty Images)
Ministro da Defesa, Walter Braga Netto, estaria acompanhando dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica ao transmitir o recado (Foto: Andressa Anholete / Getty Images)
  • Walter Braga Netto, ministro da Defesa, teria feito ameaça de golpe ao Presidente da Câmara, Arthur Lira

  • Braga Netto teria dito que sem voto impresso, não haverá eleição em 2022

  • Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, recado foi dado por Braga Netto quando ele estava acompanhado dos chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica

O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, mandou um recado ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL) no dia 8 de julho: se não houver voto impresso e auditável, não haverá eleições em 2022. O caso foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo o Estadão, o recado foi enviado por meio de um interlocutor. Quando Braga Netto transmitiu o “aviso”, ele estava acompanhado dos chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

A mensagem de Braga Netto está alinhada com as ideias do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Naquele mesmo dia, a apoiadores, Bolsonaro disse: “Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”.

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De acordo com informações do Estadão, Lira disse a interlocutores que estava preocupado e descreveu a situação como “gravíssima”. O voto impresso ainda não foi votado na Câmara dos Deputados e ainda tramita em uma Comissão Especial, no entanto, partidos do Centrão já concordaram em delibera contra a medida.

O presidente da Câmara entendeu o recado do ministro da Defesa como uma ameaça de golpe e procurou Jair Bolsonaro. Lira teve uma longa conversa com o presidente da República. Segundo o Estadão, Lira expressou a Bolsonaro que não apoiaria nenhuma tentativa de golpe institucional. Ele reforçou a lealdade ao presidente, mas reforçou que não admitiria uma tentativa de golpe.

Bolsonaro, por sua vez, teria dito que nunca defendeu uma tentativa de golpe e reafirmou ter compromisso com a Constituição Federal.

Ao Estadão, um interlocutor descreveu a situação. “A conversa que eu soube é que o ministro da Defesa disse a um dirigente de partido: ‘A quem interessar, diga que, se não tiver eleição auditável, não terá eleição’. Teve um momento de muita tensão. Não foi brincadeira, não”. A pessoa não quis se identificar.

Um ministro do Supremo Tribunal Federal foi alertado sobre os diálogos e comparou a ameaça com o tuíte do então comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas. Na ocasião, o militar tentou intimidar a Corte para que os ministros não dessem um habeas corpus ao ex-presidente Lula.

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