Brancos gastam mais com táxi e apps, e negros com transporte público

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Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (dia 19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dimensiona a desigualdade nas despesas com transportes individual e coletivo pelos brasileiros. Segundo a pesquisa, famílias chefiadas por negros ou pardos gastam mais com transportes coletivos, enquanto as de cor branca gastam mais com transportes particular, táxi e aplicativos.

É o que apontam os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que analisa o perfil das despesas das famílias brasileiras. A pesquisa foi realizada entre julho de 2017 e julho de 2018 pelo IBGE.

De acordo com o estudo, a despesa média per capita das famílias com transporte foi de R$ 85,44, sendo 71,2% a participação do transporte particular, táxi e aplicativos e 20,6% a dos coletivos.

Nas famílias chefiadas por negros ou pardos, a contribuição para despesa per capita do país com o transporte coletivo foi de R$ 10,30, maior do que a contribuição das famílias chefiadas por brancos (R$ 7,01).

Já no gasto per capita com transportes por táxi e aplicativos, famílias chefiadas por brancos contribuíram com R$ 35,22, o equivalente a 57,9% contra 40,1% do valor gasto por negros e pardos.

Quando se compara o tempo de deslocamento no transporte para o trabalho por cor ou raça, 54,6% dos que gastaram até 30 minutos são negros ou pardos.

Quanto aos que levaram entre 30 minutos e 1 hora para chegar até o trabalho, 60,3% são negros ou pardos. Eles também são maioria entre os que gastaram mais de 1 hora com deslocamento, com representação de 59,6%.

A pesquisa também apontou diferenças entre o gasto per capita segundo a ocupação e rendimento da população.

Quanto ao rendimento, os mais ricos contribuíram com 43,5% do total gasto per capita no país. Entre os mais pobres, essa contribuição foi de 17,1%.

Quanto à ocupação, famílias chefiadas por empregados com carteira assinada contribuíram com R$ 22,55 do gasto per capita do país com transporte, o que equivale a 26,4% do total.

Em seguida, famílias chefiadas por trabalhadores por conta própria representavam 22,2%, com gasto de R$ 18,93. Nessas duas categorias, o item com maior peso foi o de transporte particular, táxi e aplicativos.

Para uma família chefiada por empregado doméstico, o transporte coletivo tinha o menor peso.

A pesquisa concluiu que o deslocamento dos indivíduos depende da oferta adequada do sistema de transportes e da capacidade de pagamento das famílias.

Em geral, o uso do transporte coletivo é reduzido e substituído para outro tipo de transporte a partir de um aumento da renda.

"As famílias com mais baixos rendimentos costumam viver em locais longe dos centros econômicos das cidades, de forma que o custo de transporte para deslocamento, tanto para trabalho como para lazer, tem um peso significativo", escreveu a equipe técnica responsável pelo estudo.

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