Brasília retorna à normalidade uma semana após atos terroristas

Praça dos Três Poderes voltou a ser visitada por turistas, enquanto região do Quartel-General do Exército está vazia

Vista dos danos do lado de fora do Planalto após ato terrorista feito por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Vista dos danos do lado de fora do Planalto após ato terrorista feito por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Uma semana após os atos terroristas que atingiram as sedes do Três Poderes, Brasília começa a ganhar sinais de normalidade.

Ao contrário das cenas de vandalismo vistas no dia 8 de janeiro, e das restrições de circulação nos dias seguintes para evitar novos ataques, a Esplanada dos Ministérios está com trânsito liberado e voltou a ser visitada por turistas e brasilienses em busca de lazer.

Nem tudo voltou ao normal: seis carros da Força Nacional estavam espalhados ao redor da Praça dos Três Poderes na tarde deste domingo, em um lembrete que a segurança pública do Distrito Federal segue sob intervenção do governo federal.

Entretanto, ao lado deles a praça estava cheia, dessa vez não de manifestantes golpistas, mas por famílias que tiravam fotos em um dos principais pontos turísticos da capital, como costuma acontecer todo domingo. Ambulantes também voltaram a vender picolés e lembranças de Brasília.

Um pouco acima, na Alameda dos Estados, que fica no fim da Esplanada, outras pessoas tiravam fotos com o Congresso Nacional ao fundo. Entre eles estava o estudante de Direito Paulo Vicente, de 20 anos, morador de Vitória da Conquista (BA).

Vicente foi a Brasília para assistir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia 1º. Alongou a estadia para ficar com parentes e, no fim de semana passada, pretendia visitar a Praça junto com sua família. Ele, no entanto, desistiu ao descobrir que havia a previsão de uma manifestação.

— A gente acompanhou ao vivo, ficou de cara. Falei: "ainda bem que não fomos". Imagina a gente com criança, idoso. A sorte foi que eu vi essa matéria — relata. — As pessoas não conseguem se conformar com o resultado da eleição. Triste ver que a democracia é atacada dessa forma pela própria população.

Neste domingo, Vicente não sabia se a Esplanada estaria aberta, mas ficou feliz de conseguir chegar no local de bicicleta e ver o clima tranquilo. Agora, pretende voltar na semana seguinte com a sua avó, repetindo o plano que teve que ser cancelado.

Acampamento esvaziado

A cerca de 8km dali, a Praça dos Cristais, no Setor Militar Urbano, estava tranquila e praticamente vazia neste domingo. Algumas poucas marcas no chão restaram para demostrar que ali havia um acampamento, que chegou a ter milhares de pessoas, com pedidos de intervenção militar.

A praça fica em frente ao Quartel-General do Exército. Uns poucos soldados faziam a segurança do local, como é de costume, sem reforços aparentes.

O acampamento chegou a ter 2,5 mil pessoas, segundo o Exército. O número caiu para 300 após a posse de Lula, mas voltou a aumentar na semana passada, com a chegada de milhares de manifestantes, que depois seguiram para a Esplanada dos Ministérios.

O acampamento só seria esvaziado na manhã de segunda-feira, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), após a realização dos atos golpistas.