Unesco afirma que jornalismo está "sob ataque" na América Latina

Montevidéu, 3 mai (EFE).- O jornalismo na América Latina e em outras partes do mundo se encontra "sob ataque" na atualidade, disse nesta quinta-feira à Agência Efe o conselheiro de Comunicação e Informação da Unesco, o brasileiro Guilherme Canela, no contexto da comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

"A má notícia é que o jornalismo em várias partes do mundo e em várias partes da América Latina está sob ataque, sob graves ataques de narcotraficantes e do crime organizado que, infelizmente, já resultaram nas mortes de dez colegas neste ano em diferentes países da região", disse Canela.

O diplomata brasileiro ressaltou que o exercício do jornalismo está "sob ataque" de um modo "mais cru", como é a letalidade.

Além disso, Canela citou outros tipos de ataques como relatos de jornalistas que foram alvo de ataques cibernéticos que lhes obrigaram a fechar suas contas de e-mail, pois "os criminosos" buscam ter acesso às suas fontes.

O diplomata brasileiro acrescentou que a Unesco recebeu informações sobre ataques a jornalistas dentro dos sistemas judiciais e policiais, com casos pontuais em Brasil, Paraguai e Uruguai, e também de jornalistas que se tornam alvos do modelo de negócios do jornalismo.

Não obstante, Canela avaliou que também existem "boas notícias" relacionadas ao processo de interpretação por parte da população das chamadas "fake news", as notícias falsas.

"Partes significativas da sociedade entenderam que o jornalismo nunca foi tão necessário, ou seja, separar o joio do trigo com técnicas de investigação, acesso à informação, depuração, contraste de fontes, não é algo que o cidadão comum faz pelas redes sociais, isto é um trabalho dos jornalistas e, por isso, eles devem ser protegidos", frisou Canela.

De acordo com o conselheiro da Unesco, o jornalismo latino-americano "foi um ator fundamental para revelar" os escândalos de corrupção que assolaram a região nos últimos anos.

Canela explicou que essas revelações foram resultado da aprovação de leis de acesso à informação pública e transparência, que facilitou o trabalho dos jornalistas em diferentes países.

"O jornalismo latino-americano, participando das redes globais, entendeu que é necessário um trabalho de colaboração entre fronteiras. Temas como a mudança climática, o tráfico de menores, a corrupção transnacional e a lavagem de dinheiro, sem a colaboração com colegas de outros países, não vão funcionar", garantiu Canela.

Para o diplomata brasileiro, a importância da comemoração deste dia recai em duas áreas: "seguir enfatizando" a relevância da liberdade de imprensa para as democracias como um "pilar fundamental" e "lançar luz" sobre aspectos específicos do "amplo guarda-chuva" que é a liberdade de expressão. EFE