Brasil é o país que lidou pior com a pandemia, aponta análise de 98 governos

RAFAEL BALAGO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil foi o país que teve a pior gestão pública durante a pandemia, apontou um relatório feito pelo Lowy Institute, centro de estudos baseado em Sydney, na Austrália. O país ficou na última posição entre 98 governos avaliados. México, Colômbia, Irã e Estados Unidos também tiveram notas muito baixas. Na outra ponta da lista, a Nova Zelândia foi apontada como país que melhor lidou com a crise sanitária. E Vietnã, Tailândia e Taiwan foram incluídos entre os bons exemplos. A Nova Zelândia praticamente erradicou o vírus com fechamentos de fronteira precoces e drásticos, entre outras ações. O país teve, desde o início da crise, apenas 2.299 casos e 25 mortes, em uma população de 5 milhões de pessoas. O estudo levou em conta seis critérios: casos confirmados, mortes, casos e mortes por milhão de habitantes, diagnósticos em relação à proporção de testes e exames feitos a cada mil pessoas. A pesquisa se concentra nos dados registrados nas 36 semanas seguintes após a confirmação do 100º caso em cada país. O Brasil soma mais de 9 milhões de casos e 220 mil mortes por coronavírus e é o segundo com mais óbitos no mundo, atrás dos Estados Unidos, que teve 429 mil mortes até agora. Os dois países mais populosos do continente americano tiveram em comum governos de líderes populistas —Jair Bolsonaro e Donald Trump— que minimizaram ativamente a ameaça da Covid-19, ridicularizaram o uso de máscaras, opuseram-se a confinamentos e fechamentos e foram pessoalmente infectados pelo vírus. O Brasil registra, ainda, cerca de 42 mil casos e 1.048 mortes por milhão de habitantes, segundo o Ministério da Saúde. Como comparação, a Nova Zelândia teve 5 mortes a cada milhão de pessoas. O país da Oceania fez, até agora, 1,5 milhão de testes de Covid-19, o que representa cerca de 300 mil por milhão de habitantes, segundo o governo neozelandês. Já o Brasil aplicou 30,9 milhões de exames, de acordo com dados compilados pela Universidade Federal de Viçosa, ou aproximadamente 150 mil testes por milhão de habitantes. O Brasil enfrenta uma alta forte de casos desde o fim de 2020. Em janeiro, a falta de oxigênio para pacientes do Amazonas e a desorganização no início da campanha de vacinação foram exemplos das falhas do governo federal na gestão da pandemia no país. Esses erros motivaram pedidos pelo impeachment de Bolsonaro. O levantamento do Lowy aponta que países da Ásia e do Pacífico, na média, tiveram maior sucesso ao conter a pandemia. E aponta que a Europa teve bom desempenho ao lidar com a primeira onda, mas acabou sucumbindo à segunda alta de casos, no fim de 2020, em parte pela facilidade de deslocamento entre os países do continente. Já nas Américas, o patamar de casos se manteve elevado ao longo dos meses, com altas a partir do final de 2020. Os países da região tiveram nota média de 33,8 no combate à pandemia, sendo que o Brasil teve nota de 4,3, em uma escala que vai até 100. O Uruguai foi uma exceção: ficou em 12º no ranking, com nota 75,8. A líder Nova Zelândia teve 94,4. O índice das Américas ficou abaixo de todas as outras regiões do planeta. África e Oriente Médio tiveram média 49. A Europa, 51, e a Ásia-Pacífico, 58,2. A China —onde o vírus foi detectado pela primeira vez, no final de 2019— não está incluída na lista por causa da falta de dados de diagnóstico disponíveis ao público, segundo os autores. De acordo com os responsáveis pelo estudo, Pequim tentou agressivamente manipular a percepção pública de como estava lidando com a epidemia para provar que seu sistema autoritário é superior aos governos democráticos. Vizinhos brasileiros, Argentina e Venezuela também ficaram de fora do levantamento. O Lowy Institute afirma que não há um vencedor claro quando se trata de saber qual sistema político —ditaduras, democracias ou modelos intermediários— administrou melhor a pandemia, porque, em praticamente todos os países analisados, a resposta foi ruim. “Alguns países administraram a pandemia melhor do que outros, mas a maioria deles se destacou apenas por seu desempenho insatisfatório”, diz o relatório. “Em geral, os países com menos populações, sociedades mais coesas e instituições bem treinadas têm uma vantagem comparativa quando se trata de lidar com crises globais como a pandemia”, completa o texto, em referência aos países com menos de 10 milhões de habitantes. Em todo o planeta, mais de 100 milhões de pessoas foram infectadas com o vírus e quase 2,2 milhões morreram por conta dele, segundo dados compilados pela universidade Johns Hopkins.