Brasil é país onde número de mortes por Covid-19 mais aumenta

Rafael Garcia e Daniel Lima
·3 minuto de leitura
TOPSHOT - Employees carry the coffin of a person who died from COVID-19 at the Vila Formosa cemetery, in the outskirts of Sao Paulo, Brazil on May 20, 2020. - Brazil has emerged as the latest flashpoint in the coronavirus pandemic. The country has registered more than 270,000 cases and nearly 18,000 deaths so far, and the increase in infections is not expected to peak until June. (Photo by NELSON ALMEIDA / AFP) (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
O Brasil chegou ao patamar de 18 mil óbitos, além de 291.579 casos confirmados da doença. (Foto: Nelson Almeida / AFP via Getty Images)

O Brasil é hoje o país do mundo com a tendência mais preocupante no registro de mortes por Covid-19 quando se observa o número pessoas que o novo coronavírus mata por dia.

Apesar de ser o sexto país com mais registros acumulados de morte pela doença, quando se considera o número de mortes por dia registrados na última semana, o Brasil perde apenas para os Estados Unidos. Nos EUA, porém, a média do número de mortes por dia já está caindo, enquanto no Brasil ela sobe consistentemente.

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Com 18.859 mortes acumuladas hoje no Brasil, caso o país siga na mesma tendência, é possível que esse número supere em dez dias o dos países europeus que mais sofrem com a Covid-19: Itália, Espanha, França e Reino Unido, que já têm entre 25 mil e 35 mil mortos. O Brasil também chegou a 291.579 casos confirmados da doença.

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Os Estados Unidos são ainda de longe o país com maior número de óbitos registrados, mais de 85 mil. Os americanos chegaram em determinado ponto (no meio de abril) a registrar uma média de mais de 2.000 mortes por dia, puxadas pelo surto de grandes proporções em Nova York. Esse número vem caindo, porém, e o país está agora registrando cerca de 1.300 mortes por dia, na média da última semana.

No Brasil, em contrapartida, a tendência da Covid-19 piora de maneira explosiva. Dez dias atrás o país estava registrando uma média de 500 mortes por dia, o número agora está em 800.

Para medir a tendência com mais consistência, o cálculo para cada dia é sempre feito levando em conta a média dos sete dias anteriores. Dessa forma, é eliminada a flutuação estatística provocada pela falta de funcionários para tabular dados em finais de semana. Mantida esta tendência, em menos de um mês o Brasil se tornaria o país onde a Covid-19 mata mais pessoas.

— Nós temos grandes chances de isso acontecer, porque não sei quanto tempo a gente vai conseguir manter o isolamento social — afirma o virologista Amilcar Tanuri, professor da UFRJ.

O cientista alerta, porém, que dados nacionais escondem desigualdades regionais, e a análise por mortes tem um problema de intervalo que dificulta o parecer sobre a situação imediata.

— Na Covid-19, a morte é consequência 20 ou 30 dias depois da incidência da doença — afirma. Nos dados por casos a situação do Brasil também sugere uma realidade preocupante.

O Brasil não está, agora, entre os dez países com maior número de mortalidade per capita, que ainda é dominado por países menores que estão em epidemia com transmissão comunitária da Covid-19 há mais tempo.

Segundo Tanuri, pode ser que em alguns estados ou regiões, já seja até possível aliviar as medidas de distanciamento social, mas a falta de dados detalhados no Brasil, e o baixo nível de testagem da população dificultam essa avaliação. O virologista alerta que a análise da epidemia pelo número de casos revela um quadro mais recente, mas mais sujeito a falhas na notificação de casos.