'Brasil é perigoso para ativistas', diz arquiteto alvo de racismo por mesmo suspeito de ofender o ex-BBB Douglas Silva

Atualmente investigado no caso das ameaças racistas sofridas pelo ator Douglas Silva, Aristides Braga, de 26 anos, foi indiciado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul em outro caso similar. As ameaças dessa vez foram feitas ao ativista Antônio Isuperio, que mora em Nova York, nos Estados Unidos. Segundo Isuperio, sua mudança para o exterior foi motivada pelo racismo no Brasil.

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— Ele foi indiciado por ameaças feitas a um ativista negro e LGBT que mora nos Estados Unidos e em virtude de um vídeo em que faz uma comparação entre pessoas negras e macacos — explica a titular da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), Andrea Mattos.

A defesa de Braga afirma que o homem é inocente e diz desconhecer o resultado do inquérito policial, já que ele ainda não foi intimado. "Não há nenhum outro elemento que possa assegurar um mínimo de indício de autoria e materialidade no cometimento de qualquer ilícito", diz ainda a nota da defesa.

As ameaças datam de setembro do ano passado. Antônio Isuperio havia feito uma postagem no Instagram, onde tem mais de 100 mil seguidores, em que denunciava um caso de apologia ao nazismo. A publicação se referia a um vídeo em que um homem, posteriormente identificado como Israel Soares, de 22 anos, exibe um capacete, que diz ser da "legião hitlerista", e faz a saudação nazista "Sieg Heil".

Morador de Tramandaí (RS), Soares foi preso no dia 30 de janeiro de 2022. Ele fez ameaças contra o vereador de porto-alegre Leonel Radde e a vereadora de Niterói Benny Briolly. A loja que na qual o capacete exibido no vídeo foi adquirido também foi alvo de operação policial.

Após a postagem, Isuperio começou a receber ameaças de contas anônimas em suas redes sociais. No entanto, em uma delas, ele conseguiu pistas que o ajudaram a identificar um possível autor.

— Comecei a receber um monte de mensagem e numa delas veio uma ameaça de morte de uma conta que usava nome fake, mas tinha fotos pessoais — conta o arquiteto, que disse ter tido ajuda de amigos da área de tecnologia para coletar informações sobre o homem.

Militante de causas sociais, Isuperio disse ter ficado impactado com o conteúdo das ameaças.

— Foi péssimo. O Brasil é o país mais perigoso para ativistas, jovens negros e LGBTS. E eu sou os três — disse o arquiteto, que conta ainda ter se mudado para os Estados Unidos devido ao racismo no Brasil.

Isuperio fez um boletim de ocorrência junto a Polícia Civil do Rio Grande do Sul e uma representação junto ao Ministério Público Federal. Ele também entregou às autoridades as informações que coletou sobre o suspeito. Segundo as investigações da Polícia Civil, tanto Soares quanto Braga fariam parte de grupos extremistas e supremacistas em redes sociais, como no chat Discord.

De acordo com a polícia, o inquérito foi remetido a Justiça e será submetido a apreciação do Ministério Público, que decidirá se Aristides Braga deve ser ou não denunciado pelo crime.

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