País com 33,1 milhões de famintos reforça favoritismo de Lula em nova pesquisa

Brazil's former President Luiz Inacio Lula da Silva speaks during an event with members of political parties and social movements in Porto Alegre, Brazil June 1, 2022. REUTERS/Diego Vara
O ex-presidente Lula. Foto: Diego Vara/Reuters

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (8/5) voltou a apontar a possibilidade de vitória do ex-presidente Lula (PT) já no primeiro turno e uma das explicações para isso está em uma questão a respeito do poder de compra dos eleitores.

Seis em cada dez entrevistados (62%) disseram que o governo Lula foi o período em que mais compras era possível fazer com os seus salários.

A gestão de Jair Bolsonaro (PL) obteve 10% das citações.

O levantamento foi publicado no dia em que um outro estudo, este realizado pelo Vox Populi em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, mostrou que 33,1 milhões de brasileiros passam fome atualmente –um incremento de 14 milhões de pessoas em relação a dois anos atrás.

A fome no Brasil é perceptível nas ruas e o rebaixamento do poder de compra, nas gôndolas do supermercado.

Em entrevista à revista Veja, o diretor da Quaest, Felipe Nunes, apontou que conta a favor do ex-presidente uma “boa lembrança”, enquanto Bolsonaro é visto como uma decepção para 54% dos entrevistados. Eles disseram que a gestão é pior do que esperavam, contra 18% que dizem o contrário –ou seja, que ele superou as expectativas.

A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 5 de junho. No dia 3, o presidente protagonizou a primeira de uma série de inserções de seu partido na TV. Na ocasião, ele simulou uma conversa com jovens e ensaiou uma espécie de slogan de campanha que dizia: sem pandemia e corrupção, ninguém seria capaz de segurar o Brasil.

A estratégia, pelo que apontam as pesquisas, não tem funcionado.

Lula lidera a corrida eleitoral com desempenho entre 46% e 48% das intenções de voto a depender do cenário. Bolsonaro só chega a 30%.

Isso explica o esforço empreendido pelo presidente para minimizar o impacto do aumento da gasolina, via corte de impostos, no bolso dos eleitores.

Para 56%, a situação econômica influencia muito na hora da decisão do voto –patamar similar ao apurado pelo Datafolha em maio.

Essa situação faz com que Lula dê a largada oficial na corrida eleitoral com chances reais de vitória antes mesmo do segundo turno –no qual bateria o atual presidente por 54% a 32%.

Para inglês não ver.

O desaparecimento de um jornalista britânico, em companhia de um indigenista afastado da Funai, durante uma apuração no Amazonas, subverteu um velho ditado no país. “Para inglês ver” é uma expressão que remete aos tempos em que o Brasil só fingia atender aos apelos da Corte Britânica pelo fim da escravidão.

Em 2022, cabia a um repórter inglês ajudar a descortinar a realidade em uma área marcada pela devastação e a violência. O governo age contra entidades ambientais e o jornalismo profissional justamente para inglês (e alemão, e americano) não ver o que acontece debaixo de suas barbas.

Enquanto militares percorrem de barco a região – para inglês ver? – e familiares de

Tom Phillips e Bruno Pereira aguardam notícias de seu paradeiro, Bolsonaro faz pouco caso ao dizer que a dupla estava em campo em uma “aventura”, e não a trabalho.

Trata-se de mais uma oportunidade perdida pelo presidente para mostrar que se importa com alguém –o que reforça uma imagem da qual não consegue se dissociar desde ao menos a pandemia.

Lula, por sua vez, correu para postar em suas redes uma foto tirada durante uma entrevista concedida ao jornalista britânico.

O mistério sobre seu desaparecimento é mais um episódio que coloca Bolsonaro e seu(s) adversário(s) em campos opostos da disputa política.

Como resumiu o porta-voz na Amazônia do Greenpeace Brasil, Danicley de Aguiar, “o silenciamento de ativistas, lideranças sociais e jornalistas é a ponta de uma política de extermínio a serviço da economia da destruição que consome a floresta e viola os direitos humanos na Amazônia”.

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