Brasil abre 401.639 vagas formais de trabalho em fevereiro, mostra Caged

Isabel Versiani
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Bar no Rio de Janeiro

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil abriu 401.639 vagas formais de trabalho em fevereiro, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta terça-feira, em desempenho puxado pelo setor de serviços.

O Ministério da Economia disse que os números são recordes para o mês e sinalizam a retomada firme do mercado de trabalho formal, mas manifestou preocupação com o impacto das medidas recentes mais estritas de fechamento de atividades econômicas.

"Nós temos que admitir que a economia, do ponto de vista do mercado formal de trabalho, ela está se recuperando em altíssima velocidade", disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista coletiva, acrescentando que o foco do governo agora precisa ser a vacinação em massa para permitir o retorno mais amplo à atividade dos trabalhadores informais.

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, afirmou que o fechamento da economia, na esteira do recrudescimento da pandemia, pode ter impacto sobre os números do Caged.

"Essa nova fase de fechamento pode, sim, ter uma piora dos dados e é natural que tenha. De fato houve um fechamento mais expressivo, isso nos preocupa, claro", disse Bianco.

A abertura líquida de vagas ficou bem acima da registrada em fevereiro de 2020, de 225.648 postos de trabalho, segundo dado ajustado.

O setor de serviços liderou as contratações líquidas em fevereiro, com a abertura de 173.547 postos, seguido da indústria (93.621). O comércio criou 68.051 postos e a agropecuária, 23.055 postos.

Em janeiro, o país abriu 258.141 vagas, segundo dado revisado, de 260.353 vagas informadas originalmente.

O emprego formal foi protegido durante a crise da pandemia no ano passado por programa do governo que ofereceu complementação de renda a trabalhadores que tivessem seus contratos de trabalhos temporariamente suspensos ou sofressem redução de jornada e salários.

O programa, denominado BEM, se encerrou em dezembro, e o governo já anunciou que será reeditado, mas, diante das graves restrições fiscais, ainda não definiu o formato do benefício.

A estimativa do governo é que as despesas com a nova versão do programa totalizem cerca de 10 bilhões de reais no ano, disse Bianco, acrescentando que a medida deve ser custeada por meio de um crédito extraordinário e, portanto, sem impactar o teto de gastos.

O anúncio do programa, segundo ele, deve ser feito "o quanto antes", mas só pode acontecer depois da sanção da lei orçamentária, o que ainda não aconteceu. "Está demorando um pouco porque temos vários pontos fiscais a serem avaliados", disse o secretário.

NOVO CAGED

Os dados do emprego formal passaram a ser divulgados com base em uma nova série a partir do ano passado, com a substituição do uso do Sistema Caged para registro de admissões e desligamentos pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas.

O Novo Caged, como foi denominada a série atualizada, faz a atualização contínua do registro administrativo de contratações e demissões.

O Ministério da Economia afirma que os dados permitem comparação com as séries no formato anterior.

(Com reportagem de Luana Maria Benedito)