Brasil abriu quase um clube de tiro por dia sob governo Bolsonaro

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Foto tirada no campo de tiro em Orlando Florida. (Foto: Getty Creative)
Foto tirada no clube de tiro em Orlando Florida. (Foto: Getty Creative)

O Brasil tem 2.061 clubes de tiros, sendo que quase metade (1.006) foi aberta de janeiro de 2019 até maio de 2022, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). No período, quase um clube de tiro foi inaugurado por dia no país. Os dados são do Exército e foram revelados pelo Uol.

O crescimento do número de clubes vem acompanhado de outros aumentos relacionados a ele, como o de armas em circulação no país. Já no primeiro ano do governo Bolsonaro, o país atingiu um recorde de inaugurações de associações de tiro, com a abertura de 232 clubes. O índice, contudo, já foi superado duas vezes: foram 291 clubes criados em 2020 e mais 348 no ano passado.

Os clubes, que em geral eram concentrados em grandes centros urbanos, têm sido inseridos também em cidades do interior do Brasil. Alagoas, por exemplo, tinha somente três clubes registrados no Exército até 2010 e hoje conta com 25, espalhados por 15 municípios. Antes, as unidades ficavam em Maceió e em Arapiraca, segunda maior cidade do estado.

O alagoano Jhon David Silva inaugurou o seu clube de tiro em União dos Palmares, a 73 km de Maceió, em 2020 após deixar o emprego de vigia. O clube foi o primeiro da cidade de 65 mil habitantes e reúne 400 sócios. Silva diz que o crescimento do setor ocorreu porque havia uma demanda reprimida.

Pró-armas

No último sábado (9), um ato em Brasília (DF) pediu o fim das restrições ao armamento para todos os cidadãos. Sob o lema "não é sobre armas, é sobre liberdade", a ação teve discursos de apoio a Bolsonaro.

Silva conta que "famílias inteiras" frequentam o seu clube, mas concorda que a maioria dos clientes são homens. O crescimento dos clubes de tiro é visto com ressalvas por antigos praticantes da modalidade que consideram ter havido uma oferta descontrolada de clubes com objetivo unicamente comercial.

A gerente de projetos do Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi, afirma que as armas têm sido vistas como um bem de consumo que compõem a identidade: homem e conservador.

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