Brasil aplicou pouco mais de 20 milhões de vacinas contra covid; confira ranking dos estados

Ana Paula Ramos
·8 minuto de leitura
em Brasília, idoso é vacinado contra covid-19
Vacinação contra covid-19 no Brasil segue em ritmo lento (Xinhua/Lucio Tavora via Getty Images)

Com pouco mais de 20 milhões de doses da vacina contra covid-19 aplicados até domingo (28) no Brasil, o Mato Grosso do Sul tem a maior porcentagem populacional vacinada contra a doença do país.

Balanço da vacinação aponta que mais de 10% da população do estado recebeu pelo menos uma dose do imunizante: 280.101 pessoas imunizadas com a primeira dose (9,97%) e 90.415 receberam também a segunda dose (3,22%).

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Os números foram levantados pelo consórcio de veículos de imprensa, junto aos governos estaduais.

Amazonas segue atrás do Mato Grosso do Sul, com 9,87% da população vacinada com a primeira dose - o que corresponde a 415.207 pessoas - e 2,95% da população com a segunda dose - 124.219 pessoas.

Os dados mostram que, em seguida, está São Paulo, com 5.608.711 doses aplicadas no total, ou seja, 9,13% da população vacinada com primeira dose e 2,98% com segunda dose.

Levando em consideração o número de doses aplicadas, o ranking de vacinação tem São Paulo na liderança; Bahia, em segundo lugar, com 1.372.529 pessoas vacinadas com a primeira dose, o equivalente a 9,19% dos habitantes, e 307.581 imunizadas com a segunda dose (2,06%), e Minas Gerais na terceira posição (1.636.476 doses aplicadas no total, ou seja, 5,55% da população imunizada com a primeira dose e 2,13% com a segunda dose).

SAO PAULO, BRAZIL - JANUARY 17: A nurse administers a dose of the CoronaVac vaccine to a medical worker at Hospital das Clinicas of the University of Sao Paulo (USP) on January 17, 2021 in Sao Paulo, Brazil. The CoronaVac vaccine was developed by the Chinese laboratory Sinovac in partnership with the Butantan Institute. The National Health Surveillance Agency (Anvisa) authorized today the emergency use of the CoronaVac and the AstraZeneca (developed by the University of Oxford in partnership with the Oswaldo Cruz Foundation (Fiocruz) vaccines against Covid-19. (Photo by Rodrigo Paiva/Getty Images)
Vacinação em São Paulo (Foto: Rodrigo Paiva/Getty Images)

Confira a lista completa da vacinação nos estados

  • AC: 1ª dose - 44.382 (4,96%); 2ª dose - 11.506 (1,29%)

  • AL: 1ª dose - 213.156 (6,36%); 2ª dose - 54.612 (1,65%)

  • AM: 1ª dose - 415.207 (9,87%); 2ª dose - 122.612 (2,91%)

  • AP: 1ª dose - 48.557 (5,63%); 2ª dose - 16.015 (1,86%)

  • BA: 1ª dose - 1.372.529 (9,19%); 2ª dose - 307.581 (2,06%)

  • CE: 1ª dose - 653.713 (7,12%); 2ª dose - 206.634 (2,25%)

  • DF: 1ª dose - 263.215 (8,62%); 2ª dose - 72.616 (2,38%)

  • ES: 1ª dose - 262.743 (6,47%); 2ª dose - 82.940 (2,04%)

  • GO: 1ª dose - 429.612 (6,04%); 2ª dose - 120.025 (1,69%)

  • MA: 1º dose - 335.459 (4,72%); 2ª dose - 104.211 (2,12%)

  • MG: 1ª dose - 1.182.035 (5,55%); 2ª dose - 454.441 (2,13%)

  • MS: 1ª dose - 280.101 (9,97%); 2ª dose - 90.415 (3,22%)

  • MT: 1ª dose - 153.503 (4,35%); 2ª dose - 61.362 (1,74%)

  • PA: 1ª dose - 406.869 (4,68%); 2ª dose - 104.249 (1,20%)

  • PB: 1ª dose - 349.125 (8,64%); 2ª dose - 83.525 (2,07%)

  • PE: 1ª dose - 717.391 (7,46%); 2ª dose - 215.593 (2,24%)

  • PI: 1ª dose - 213.157 (6,50%) ; 2ª dose - 48.296 (1,47%)

  • PR: 1ª dose - 792.734 (6,88%); 2ª dose - 209.949 (1,82%)

  • RJ: 1ª dose - 1.002.369 (5,77%); 2ª dose - 331.700 (1,91%)

  • RN: 1ª dose - 235.415 (6,66%); 2ª dose - 64.531 (1,83%)

  • RO: 1ª dose - 81.066 (4,51%); 2ª dose - 31.349 (1,75%)

  • RR: 1ª dose - 37.418 (5,93%); 2ª dose - 17.902 (2,84%)

  • RS: 1ª dose - 1.019.755 (8,93%); 2ª dose - 293.220 (2,57%)

  • SC: 1ª dose - 508.899 (7,02%); 2ª dose - 130.324 (1,80%)

  • SE: 1ª dose - 150.071 (8,81%); 2ª dose - 41.819 (2,45%)

  • SP: 1ª dose - 4.227.002 (9,13%); 2ª dose - 1.381.709 (2,98%)

  • TO: 1ª dose - 80.522 (5,06%); 2ª dose - 33.825 (2,13%)

Ritmo lento

Desde o início da campanha de vacinação contra a Covid-19, em 17 de janeiro, o Brasil deu a primeira dose do imunizante para, em média, somente 0,1% da sua população por dia. Chilenos e americanos, por exemplo, vacinaram com pelo menos uma dose mais do que o dobro dessa parcela populacional (0,26% e 0,22%, respectivamente) diariamente. O Reino Unido tem quase o quádruplo (0,39%) de parcela da população imunizada por dia, e Israel alcançou 0,77% da população vacinada diariamente.

Rio de Janeiro levaria dois anos para vacinar no atual ritmo

Se o ritmo atual de vacinação for mantido, por exemplo, a população total do estado do Rio, terceiro mais populoso do país, só será imunizada em pelo menos dois anos, ou 775 dias.

Para imunizar até o final deste ano toda a população do estado apta a receber o imunizante, com mais de 18 anos de idade, 12,7 milhões de pessoas, seria preciso mais que triplicar o número de aplicações diárias.

A projeção é do painel MonitoraCovid, produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que também prevê 995 dias, ou dois anos e meio, o tempo para que todo o País seja vacinado contra a Covid-19.

Os cálculos são do epidemiologista Diego Xavier, responsável pelo MonitoraCovid da Fiocruz, em entrevista ao jorna O Globo.

Ele alerta, no entanto, que a recente paralisação da vacinação no Rio e em outras cidades ainda não entrou nos cálculos, e a projeção de vacinar toda a população poderá ser ampliada.

Diego destaca que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem condições de fazer as aplicações diárias necessárias, mas a logística depende da disponibilidade de vacinas e da coordenação eficaz entre todos os entes envolvidos.

Previsão de vacinas

O Brasil tem vacinas contra o novo coronavírus para imunizar apenas 65% de sua população, considerando apenas as doses com contrato assinado pelo Ministério da Saúde.

O Instituto Butantan informou que, em março, já entregou 12,1 milhões de doses da Coronavac. Até o final do mês, a previsão é entregar mais 10,6 milhões de vacinas, completando 22,7 milhões de doses combinadas com o Ministério da Saúde.

Vacinas Coronavac
Vacinas Coronavac (Photo by Rodrigo Paiva/Getty Images)

A Fiocruz informou que já entregou 1,08 milhões de doses da AstraZeneca para o Ministério da Saúde e que até o final de março deve entregar mais 2,8 milhões de vacinas, completando 3,9 milhões ainda para este mês.

Pouco antes de deixar o cargo de ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, informou que já foram contratadas mais de 562 milhões de doses de vacina contra o coronavírus para 2021, além da negociação de compra do imunizante da Moderna. Segundo ele, o processo de compra das vacinas Sputinik, da Pfizer e da Janssen já foi concluído. São 100 milhões de doses da Pfizer e 38 milhões da Janssen como "vacinas contratadas", de acordo com o cronograma. 

Quantas doses cada estado recebeu até 26 de março:

  • AC: 132.520 

  • AL: 479.860 

  • AM: 1.030.829 

  • AP: 91.650 

  • BA: 2.039.600 

  • CE: 992.400 

  • DF: 402.610 

  • ES: 535.720 

  • GO: 847.780 

  • MA: 845.690 

  • MG: 3.159.730 

  • MS: 467.010 

  • MT: 393.060 

  • PA: 946.040 

  • PB: 579.730 

  • PE: 1.438.880 

  • PI: 392.080 

  • PR: 1.727.850 

  • RJ: 3.096.720 

  • RN: 470.540 

  • RO: 166.808 

  • RR: 127.360 

  • RS: 2.216.450 

  • SC: 1.018.990 

  • SE: 271.930 

  • SP: 6.793.136 

  • TO: 193.650

Brasil vive maior colapso sanitário de sua história

Enquanto a vacinação não avança, a escalada da Covid-19 chegou ao ponto mais crítico no Brasil, deixando quase todos os estados à beira do colapso na saúde. De acordo com a Fiocruz, trata-se da maior crise sanitária da história do país.

Entre as 27 unidades da federação, 24 estados e o DF estão com ocupação de leitos de UTI acima dos 80%. Entre esses estados, 15 tem ocupação maior que 90%. Roraima (64%) e Amazonas (79%) são as únicas duas unidades da federação com índices mais baixos.

Mapa de ocupação de leitos de UTI (Reprodução/ Fiocruz)
Mapa de ocupação de leitos de UTI (Reprodução/ Fiocruz)

Brasil tem recorde de mortes por Covid em 24h

Desde o início da pandemia, 312.206 pessoas foram mortas no Brasil pelo coronavírus até domingo (28). O total de casos chegou a 12.534.688, de acordo com o painel atualizado pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), um sistema próprio de informações que reúne dados de contaminados e de óbitos em contagem paralela à do governo.foram mortas pelo coronavírus no Brasil. 

O número de vítimas registradas por dia tem batido recordes, ficando acima de 3 mil pessoas.

Os Estados Unidos são o único país com mais mortos do que o Brasil em números absolutos: 562.063 vítimas. Mas o número de novos casos e novas mortes por dia vem em forte queda.

Bolsonaro minimizou a pandemia em diversos momentos. No início da pandemia, o presidente fez um pronunciamento em rede nacional afirmando que o coronavírus é uma “gripezinha” e pediu o fim do “confinamento em massa”.

Brazilian President Jair Bolsonaro gestures as he attends the signing ceremony of the Provisional Measure to improve the business environment in Brazil, at Planalto Palace in Brasilia, on March 29, 2021. - Bolsonaro faces a severe crisis between his foreign Minister Ernesto Araujo and the National Congress where he is the target of criticism for the way he has conducted the Brazilian foreign policy. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Presidente Jair Bolsonaro (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

'Negacionismo pode levar mundo à estaca zero'

Em entrevista ao Yahoo, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta alertou que a má condução da pandemia pelo presidente Jair Bolsonaro pode levar o mundo à estaca zero, já que a grande circulação do vírus no país pode gerar uma nova variante resistente às vacinas.

“Bolsonaro agora deveria estar de joelho, no milho, rezando, com um oratório bem grande. Porque se tiver uma variante, com essa quantidade de vírus que está circulando no Brasil, e essa variante for resistente a vacina, e fazer o mundo voltar à estaca zero por conta desse negacionismo dele, acho que ele vai ser levado diretamente daqui para Haia" [onde fica o Tribunal Penal Internacional, onde são julgados governantes acusados de genocídio], afirmou.