Brasil aprova registro definitivo da vacina da AstraZeneca

·3 minuto de leitura

O Brasil aprovou, nesta sexta-feira (12), o registro definitivo da vacina britânica AstraZeneca contra o coronavírus, alegando que "a conclusão é de que os benefícios superam os riscos", apesar de o imunizante ter sido suspenso em vários países europeus à espera de estudos sobre efeitos colaterais indesejáveis.

O governo também anunciou a compra de 10 milhões de doses da vacina russa Sputnik V, em um momento em que o país precisa acelerar a vacinação para conter uma segunda onda da pandemia que já deixou cerca de 273 mil mortos.

Completando o dispositivo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do antiviral remdesivir.

A Anvisa admitiu que a vacina AstraZeneca pode causar distúrbios como dores de cabeça e diarreia e que "incertezas" podem levar "com o tempo a adequar o processo de fabricação", também realizado no Brasil com a Fundação Fiocruz.

Mas "a conclusão é de que os benefícios superam os riscos", disse o gerente-geral de medicamentos da agência, Gustavo Mendes, em entrevista coletiva. “Não há risco previsível para a saúde da população relacionado ao uso da vacina”, afirmou.

A vacina desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford é uma das duas já aprovadas para uso emergencial, destinada a grupos prioritários. Seu registro definitivo permitirá que seja comercializada e utilizada de forma generalizada.

Vários países europeus, incluindo Dinamarca, Islândia e Noruega, suspenderam sua aplicação, invocando o princípio da "precaução" depois que alguns pacientes desenvolveram coágulos sanguíneos.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) pediu a inclusão de alergias graves na lista de possíveis efeitos colaterais, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que "não há razão para não usar" o imunizante.

A AstraZeneca afirmou que seu produto é "seguro e eficaz". “Não há evidência de risco agravado de embolia pulmonar ou trombose venosa profunda” associado à vacina, enfatizou.

- Vacinação lenta -

O outro imunizante de uso emergencial é a CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, associado ao Instituto Butantan.

Apenas a vacina da Pfizer contava, até agora, com registro definitivo no Brasil, mas nenhuma de suas doses chegou ao país ainda.

A vacinação começou há menos de dois meses no Brasil e avança lentamente, com problemas logísticos. Apenas 9,2 milhões dos 212 milhões de brasileiros foram vacinados com pelo menos uma das duas doses necessárias.

O governo anunciou a compra de 10 milhões de doses da Sputnik V, das quais 400 mil chegarão no final de abril, 2 milhões em maio e 7,6 milhões em junho.

A Sputnik V será importada pelo laboratório brasileiro União Química, que deve solicitar autorização da Anvisa para uso emergencial. Só depois de autorizado, o governo começará a fazer os desembolsos.

O presidente Jair Bolsonaro, que costuma minimizar a pandemia e passou a questionar a eficácia das vacinas, tem promovido o uso de medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina, sem comprovação científica de sua eficácia contra a covid-19.

Ele também acusa governadores que tentam impor medidas de contenção parcial para conter a circulação do vírus de paralisar a economia.

A pandemia teve uma repercussão muito mais séria em 2021 do que em 2020, com uma média de mais de 1.700 mortes por dia nos últimos sete dias. No início do ano, essa média era de 703.

O diretor-geral da OMS ficou "muito preocupado" com a situação nesta sexta-feira e instou o governo brasileiro a tomar "medidas sérias", sem as quais "a tendência atual (...) vai levar a mais mortes".

- Remdesivir -

A Anvisa aprovou nesta sexta-feira o registro do primeiro medicamento para pacientes internados por covid-19, o antiviral remdesivir.

O remdesivir foi autorizado em outubro passado nos Estados Unidos, mas, em novembro, a OMS recomendou que os pacientes com covid-19 internados não recebessem o medicamento. O antiviral não evita as mortes, nem as formas graves da doença.

A aprovação no Brasil desse produto do laboratório americano Gilead se deve "à eficácia, segurança e qualidade apresentadas", justificou a Anvisa.

De acordo com a agência, o antiviral, aplicado por via intravenosa, "impede a replicação do vírus no organismo" e só será usado em adultos e adolescentes com mais de 40 kg internados com pneumonia.

jm/js/rsr/tt/jc/am