Kim e Moon encenam um primeiro e emotivo passo rumo à reconciliação

Antonio Hermosín.

Goyang (Coreia do Sul), 27 abr (EFE).- Os líderes das duas Coreias, Kim Jong-un e Moon Jae-in, protagonizaram nesta sexta-feira uma cúpula cheia de emotividade e de gestos destinados a encenar uma aproximação, com a qual os dois querem dar o primeiro passo para a reconciliação.

A esperada e histórica cúpula começou com uma primeira imagem para a história, o instante em que o líder do Norte cruzou a pé a fronteira militarizada e pisou em território sul-coreano - um fato nunca visto até agora - e apertou a mão do presidente do Sul.

Moon e Kim mantiveram um encontro emocionante durante o qual trocaram algumas palavras, brincaram e atravessaram para ambos os lados da divisa em várias ocasiões de mãos dadas, tudo isso no único ponto da demarcação onde as tropas de Norte e Sul se veem frente a frente.

"Foi uma decisão muito corajosa de sua parte e vir até aqui", disse Moon, que também se perguntou quando poderia devolver a ele esta visita e viajar para o Norte, segundo as palavras veiculadas pela emissora sul-coreana "KBS" e o escritório presidencial de Seul.

"Talvez agora seja um bom momento para que venha", respondeu Kim, e em seguida, o levou pelas mãos para o lado do Norte da fronteira, em um gesto que não estava previsto no milimétrico planejamento do encontro, e que Moon seguiu com naturalidade.

O presidente sul-coreano, de 65 anos, se mostrou muito sorridente o tempo todo, enquanto Kim, que é quase duas vezes mais novo que Moon, apareceu com um semblante mais sério, mas também mostrou bom humor e carisma em sua primeira grande aparição midiática ao vivo e acompanhada em nível mundial.

No início das reuniões formais, ambos continuaram trocando brincadeiras sobre como os lançamentos noturnos de mísseis do Norte interrompiam o descanso de Moon, ou sobre a popularidade no Sul da irmã do líder, Kim Yo-jong, diretora de propaganda, assessora muito próxima do marechal norte-coreano e que também participou da cúpula.

Kim Yo-jong, uma figura-chave no degelo intercoreano que viajou para o Sul em fevereiro por causa dos Jogos Olímpicos de PyeongChang e atuou como mediadora para organizar a cúpula, esteve muito presente durante toda a jornada de hoje e se manteve o tempo todo perto de seu irmão.

Após plantarem juntos um pinheiro cujas agulhas verdes simbolizam "a chegada da primavera ao Norte e ao Sul", Kim e Moon deram um passeio por um bosque próximo da Peace House e, nesse cenário bucólico, protagonizaram uma íntima e longa conversa sentados cara a cara em bancos e sem a companhia de assessores.

A proximidade que os dois líderes quiseram encenar contrasta com o período de tensão máxima vivido há poucos meses na Península Coreana, e que Norte e Sul querem deixar para trás de forma definitiva com a declaração conjunta assinada ao término da cúpula.

"Não haverá mais guerra na península. Com esta declaração abrimos uma nova era", disse o presidente sul-coreano em discurso junto a Kim Jong-un ao término da reunião, a primeira ocasião em que líderes das duas Coreias comparecem juntos e realizam um discurso ao final de uma cúpula intercoreana.

Kim, por sua vez, destacou que "o mundo está observando" os dois e afirmou que o ocorrido hoje permitirá "evitar que se repitam os erros do passado", além de destacar que Norte e Sul "são um mesmo povo" e "não devem voltar a se enfrentar", mas "avançar juntos para a unificação".

Os dois líderes concluíram o longo dia com um banquete realizado na Peace House, um edifício situado ao lado sul da fronteira, onde mantiveram suas duas rodadas de encontros.

No jantar, Kim e Moon estiveram acompanhados de suas respectivas esposas, Ri Sol-ju e Kim Jung-sook, e também contaram com a companhia de artistas do Norte e do Sul e de grandes delegações de alto nível.

Os convidados desfrutaram de um menu composto por pratos dos dois países cheios de simbolismo, entre eles peixe grelhado à moda de Busan, onde cresceu Moon, acompanhado de batatas rosti ao estilo da Suíça, onde Kim estudou, e de macarrões frios típicos de Pyongyang, berço do líder norte-coreano. EFE