Brasil bate próprio recorde em assassinatos de mulheres trans e travestis

Redação Notícias
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Transexual Julyanna Barbosa walks on a footbridge next to the bus stop where she was attacked while walking past on her way home one morning in Nova Iguacu, Brazil, Friday, Oct. 12, 2018. According to Barbosa, a 41-year-old artist, she was attacked by four men on Oct. 6 who shouted "Bolsonaro has to win to remove this trash from the street. It's infected with AIDS," referring to right-wing presidential candidate Jair Bolsonaro, as they punched her body and hit her on the head with an iron bar. Barbosa added that no one helped her. (AP Photo/Leo Correa)
O recorde anterior havia sido registrado em 2017. Naquele ano, foram assassinadas 169 mulheres trans. O aumento dos casos, sobretudo se considerar as medidas de isolamento social durante a pandemia, é preocupante (Foto: AP Photo/Leo Correa)

O Brasil quebrou seu próprio recorde de assassinatos contra mulheres trans e travestis. Foram 175 mortes em 2020, de acordo com a Assossiação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) que divulgou levantamento nesta sexta-feira (29), Dia Nacional da Visibilidade Trans.

Segundo a pesquisa, o estado de São Paulo segue pelo segundo ano consecutivo como o local com maior número absoluto de ocorrências: são 29, ou 16,5% dos casos. No entanto, especialistas acreditam que há uma subnotificação de casos. Ou seja, o total de mortes pode ser ainda maior.

O recorde anterior havia sido registrado em 2017. Naquele ano, foram assassinadas 169 mulheres trans. O aumento dos casos, sobretudo se considerar as medidas de isolamento social durante a pandemia, é preocupante.

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Segundo a secretária de articulação política da Antra, Bruna Benevides, os assassinatos são “recados para as trans que continuam vivas”, ao citar ao jornal Estadão que houve ainda aumento de 50% nas tentativas de homicídio contra essa população.

“A gente tem uma dificuldade para entender esse cenário de violência, porque envolve uma questão multifatorial, como a falta de acesso a políticas públicas, precarização da condição de vida, agendas antitrans e discursos de ódio que assumem a esfera pública”, aponta.

Parlamentares perseguidas

Na madrugra de quarta-feira (27), um carro branco parou em frente a casa da vereadora da Bancada Feminista do PSOL em São Paulo, Carolina Iara, e efetuou disparos de arma de fogo. Apesar do atentado, a vereadora, que é uma mulher negra e trans, não se feriu fisicamente.

Mais tarde, no mesmo dia, a mulher mais votada na cidade de São Paulo, a vereadora Erika Hilton (PSOL) registrou um BO (boletim de ocorrência) por ameaça após ser perseguida por um homem nas dependências da Câmara Municipal de São Paulo. A parlamentar, eleita com mais de 50 mil votos, também é uma mulher negra e trans.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não categorizou nenhum dos 29 assassinatos listados pela Antra, em 2020, como “Crimes de Intolerância”. Essa classificação inclui os delitos motivados por discriminação racial, religiosa ou sexual.

Segundo dados oficiais da Secretaria, nenhuma morte do ano passado foi enquadrada nessa categoria.

Ao Estadão, a SSP afirmou que “tem intensificado as ações de combate à violência de gênero e intolerância” e cita a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), na capital. A Secretaria também informa que é possível incluir nome social e indicação de “homofobia/transfobia” nos registros de ocorrência desde novembro de 2015.