Brasil bate recorde de casos da COVID-19 e tem mais de mil mortos em 24 horas

Coveiro com roupa de proteção cava uma sepultura para vítima de COVID-19 no cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, 28 de maio de 2020

O Brasil, considerado o epicentro da pandemia de coronavírus na América Latina, registrou um novo recorde de casos confirmados nesta quinta-feira (28) e teve mais de mil mortes em 24 horas.

De acordo com o último balanço oficial do Ministério da Saúde, foram confirmados 26.417 novos casos no segundo país com mais contaminados no mundo (438.238), atrás dos Estados Unidos.

Quanto ao número de falecidos, o Brasil registrou seu terceiro pior dia desde o início da pandemia: 1.156, elevando o total para 26.754, o que o mantém como o sexto país com mais vítimas fatais.

Com esse número, o Brasil, que ainda está longe de atingir o pico de infecções, pode superar a Espanha e a França, que registraram até esta quinta-feira 27.119 e 28.662 mortes, respectivamente, segundo uma contagem da AFP.

Os números brasileiros só não são mais alarmantes quando relacionados a seus mais de 210 milhões de habitantes: o coeficiente é de 125 mortes por milhão de habitantes, comparado a mais de 300 nos Estados Unidos e 580 na Espanha.

Especialistas alertam que os dados de contágio podem ser até quinze vezes maiores, de acordo com certas estimativas, dado que os testes de massa não são praticados no Brasil.

A pandemia está avançando no país em um clima de tensões exacerbadas entre os governadores a favor das medidas de confinamento e o presidente Jair Bolsonaro, que os considera uma ruína econômica.

A maioria dos estados impôs medidas parciais de quarentena, embora alguns já tenham começado a relaxá-las ou tenham anunciado que farão isso em breve, apesar do fato de os sistemas de saúde estarem sobrecarregados em alguns casos.

São Paulo, o estado com mais casos e mortes, chegou a 6.980 mortos nesta quinta-feira e já está perto de 100.000 infectados, um dia após o governador João Doria anunciar uma prorrogação até 15 de junho do confinamento, embora permitindo a reabertura comercial em certas regiões, dependendo da incidência da pandemia.

O Rio de Janeiro é o segundo estado em número de mortes (4.846) e casos (44.886).

Outros estados do norte, como Amazonas e Pará, e nordeste, como Ceará, apresentam cenários mais trágicos, com maior proporção de mortes por milhão de habitantes.