Brasil bate recorde de mortalidade materna: 8 mulheres morreram por dia em 2021

Mortalidade materna bate recorde em meio à pandemia de covid-19. (Foto: GettyImages)
Mortalidade materna bate recorde em meio à pandemia de covid-19. (Foto: GettyImages)
  • Foram 2.857 óbitos de grávidas no ano passado no país, segundo a fundação Abrinq

  • Mortalidade materna chegou a 107 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos

  • Aumento da desigualdade nos últimos anos foi fator determinante

Cerca de 8 grávidas morreram por dia em 2021 no Brasil, totalizando 2.857 óbitos maternos, o maior número registrado em 22 anos. Em relação ao ano anterior, o crescimento foi de 45%, em grande parte por conta da pandemia de covid-19 e o aumento da desigualdade no país.

Os dados foram compilados pela Fundação Abrinq para a emissora GloboNews a partir dos resultados dos Painéis de Monitoramento de Nascidos Vivos e Mortalidade Materna, do Ministério da Saúde, aos indicadores do Datasus (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde). O levantamento é preliminar, pois os dados estão sendo atualizados.

Em 2021, foram 107,4 óbitos maternos para cada 100 mil nascidos vivos, um aumento de 49% em relação a 2020, quando a taxa era de 72 a cada 100 mil nascidos vivos. O ano de 2020 já havia mostrado um aumento nessa taxa por conta da pandemia de covid-19, chegando a patamares semelhantes a 2009, quando houve o surto de Influenza H1N1.

Em 2021, mais de 67% dos óbitos de grávidas teve como causa fatores além dos obstétricos, como a infecção pelo coronavírus. É a primeira vez desde 2000 que esse tipo de causa de morte corresponde à maioria dos óbitos.

Além da covid-19, a piora da qualidade de vida da população nos últimos anos também contribuiu para os dados alarmantes sobre mortalidade materna.

“As mulheres brasileiras já conviviam com dificuldades no acesso à assistência adequada no período gestacional. Essa situação só foi intensificada no período pandêmico”, explica Patrícia Alves, técnica do Programa Mortalidade Zero da Fundação Abrinq, ao portal G1.