Brasil buscará cooperação internacional se investigação de ataques apontar responsáveis no exterior

Ônibus com bolsonaristas chega a instalação da Polícia Federal em Brasília

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou nesta quinta-feira que o Brasil buscará cooperação internacional caso as investigações sobre os atos antidemocráticos de domingo apontem a participação de pessoas no exterior.

"A orientação administrativa que dei ao dr. Andrei foi no sentido de investigar toda a cadeia de mandantes. E se essa cadeia de mandantes obviamente envolver pessoas que estão em outros países, é claro que a cooperação policial e a cooperação jurídica será buscada", disse o ministro em entrevista à CNN Brasil, citando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O ministro disse ainda que pretende apresentar nos próximos 10 dias um pacote de medidas para evitar casos como a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, o que inclui mudanças na gestão da segurança pública do Distrito Federal, de forma a evitar violência na capital do país.

Na quarta-feira, a Reuters revelou que parlamentares dos Estados Unidos e do Brasil estão buscando maneiras de cooperar em na investigação sobre os ataques em Brasília por manifestantes bolsonaristas, compartilhando lições de investigações sobre a invasão ao Capitólio norte-americano em 2021.

Ao comentar notícia sobre minuta de decreto encontrada na casa do ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro Anderson Torres para reverter o resultado da eleição passada, em que Jair Bolsonaro perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva, Dino disse que prenderia em flagrante quem portasse o documento, em vez de guardá-lo em sua própria residência.

O ministro da Justiça avaliou ainda que o documento --uma minuta de decreto para a instauração de estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)-- configuraria um golpe de Estado.

A existência do documento aponta, segundo o ministro da Justiça, que os atos de vandalismo e depredação no último domingo por bolsonaristas não foram um ato isolado.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)