Brasil cai quatro posições em ranking de liberdade de imprensa e entra em ‘zona vermelha'

O Globo
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RIO - O Brasil caiu quatro posições e ficou em 111º lugar no ranking mundial da Liberdade de Imprensa, divulgado nesta terça-feira pela organização Repórteres Sem Fronteiras. O país foi classificado pela primeira vez em 20 anos em uma zona vermelha, na qual a situação para o trabalho dos jornalistas é considerada mais difícil.

No documento desenvolvido pela ONG, o ambiente de trabalho dos jornalistas é descrito como “tóxico” desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o poder em 2019. “Insultos, estigmatização e orquestração de humilhações públicas de jornalistas se tornaram a marca registrada do presidente, sua família e sua entourage”, afirma o texto.

Para o Repórteres Sem Fronteiras, os ataques se intensificaram com a pandemia da Covid-19 e a disseminação de notícias falsas sobre a crise sanitária. O relatório ainda cita o consórcio de veículos da imprensa formado para dar transparência aos dados relativos à pandemia.

“Diante das mentiras compulsivas do presidente e da falta de transparência do governo quanto à gestão sanitária, uma aliança inédita reunindo os principais meios de comunicação do país foi criada em junho de 2020, com o objetivo de obter informações diretamente de autoridades locais nos 26 estados do país e no Distrito Federal, para elaborar e comunicar seus próprios boletins”.

Os países em que há mais liberdade de imprensa, segundo o levantamento, são a Noruega, Finlândia, Suécia e Dinamarca, que ocupam as quatro primeiras posições da lista. Na outra ponta, Djibuti, China, Turcomenistão, Coreia do Norte e Eritreia têm a pior classificação.

Publicada desde 2002, a análise contempla as condições para o exercício do jornalismo, atividade que representa “instrumento de defesa essencial”. A pontuação é distribuída através de entrevistas com especialistas em todas as partes do mundo e separadas em cores: branca (muito boa), amarela (boa), laranja (problemática), vermelha (difícil) e preta (muito grave).

Entre os critérios analisados pela Repórteres Sem Fronteiras estão: pluralismo; independência das mídias; ambiente e autocensura; arcabouço legal; transparência; qualidade da infraestrutura de suporte à produção da informação e violência contra a imprensa.