Brasil começa a ver efeitos da vacinação nos números da pandemia

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Um brasileiro recebe uma dose da vacina anticovid-19 AstraZeneca / Oxford na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, em 20 de junho de 2021

Depois de uma segunda onda devastadora que fez com que as mortes por covid subissem para meio milhão, o Brasil registra há algumas semanas uma queda nos indicadores da pandemia, o que os especialistas atribuem à aceleração do ritmo de vacinação.

A média diária de mortes na última semana foi de 1.244, em comparação com as mais de 3.000 vidas perdidas por dia durante a primeira quinzena de abril, durante o ápice da segunda onda.

E o número médio de infecções acabou caindo para 41.087 nesta sexta-feira (16), após ter ultrapassado 77.000 no final de junho.

“Nós não estamos ainda numa situação confortável. Temos ainda um numero altíssimo de casos novos e ainda um número alto de óbitos, mas naquelas faixas etárias que estão completamente vacinadas, já vemos uma melhora significativa nos indicadores de internação e óbito, disse à AFP a epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

A imunização, que começou em janeiro nos grupos prioritários (profissionais de saúde, idosos, indígenas), foi afetada pela escassez de doses e insumos importados. Mas no último mês o país conseguiu estabilizar a entrega e distribuição das vacinas e aplicou, em média, mais de um milhão de doses diárias, segundo dados oficiais.

Isso resultou em uma cobertura de 40% da população com uma dose e cerca de 15% com a imunização completa, e essas porcentagens devem aumentar consideravelmente nos próximos meses.

Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, as mais populosas do país, avançaram na vacinação de grupos-chave, como profissionais de saúde e de educação, e estão convocando adultos de 30 a 40 anos para a primeira dose. O Rio promete imunizar toda a sua população com mais de 12 anos até o final de novembro.

A vacinação "avançou a uma velocidade mais lenta do que o desejado, mas começa a dar efeitos nítidos. Também foi importante para que a suposta terceira onda [prevista no mês passado] não se concretizasse", disse Mauro Sanchez, epidemiologista da Universidade de Brasília (UnB).

O Brasil, com 212 milhões de habitantes, já registra quase 540 mil óbitos por covid, dos quais mais de 340 mil foram registrados até agora em 2021.

- Incerteza por variante Delta -

Em seu último boletim epidemiológico, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirma a melhora nos índices de infecções e óbitos, com tendência de queda há pelo menos três semanas.

Além disso, pela primeira vez desde dezembro, nenhum dos 27 estados brasileiros apresenta ocupação superior a 90% de seus leitos de terapia intensiva para pacientes com covid.

Mas a circulação do vírus não está sob controle e especialistas alertam para o risco do surgimento de novas variantes ou de que a variante Delta, considerada mais contagiosa, se torne predominante.

O Ministério da Saúde identificou até agora 27 casos dessa variante (inicialmente detectada na Índia) e as autoridades locais realizam um rastreamento intensivo dos contatos para evitar que ela se espalhe.

Alguns estados encurtaram o intervalo entre a primeira e a segunda dose de algumas vacinas, na tentativa de antecipar a imunização completa.

"O único cenário que poderia mudar isso é um cenário de novas variantes, ou a Delta mudando a transmissão no Brasil", disse Maciel.

- Enfim, o Carnaval? -

Apesar da posição do presidente Jair Bolsonaro, que circula sem máscara e questiona a segurança das vacinas (que ele mesmo se negou a aplicar), uma pesquisa da DataFolha revelou nesta semana que 94% dos brasileiros já vacinaram ou pretendem se vacinar, uma adesão recorde desde o início da pandemia.

O consenso entre os especialistas é que o Brasil deve manter ou aumentar a taxa de vacinação para retomar totalmente as atividades (inclusive aulas presenciais com 100% dos alunos) e começar a pensar em permitir eventos massivos, como as festas de final de ano no Rio de Janeiro e Carnaval em fevereiro de 2022.

"A volta à normalidade ainda não está no nosso horizonte próximo. Teremos que ver coberturas vacinais altas, de aproximadamente 80% em toda a população, associadas a um nível muito baixo de circulação do vírus na comunidade para que se comece a permitir as aglomerações e festas às quais estamos acostumados", diz Sanchez.

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