Brasil enfrenta duas doenças: coronavírus e Bolsonaro, diz governador do Maranhão

Flavio Dino, governador do Maranhão - Foto: Divulgação

O combate ao novo coronavírus no Brasil tem um episódio bem característico: o embate entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e boa parte dos governadores dos estados. Flavio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, em entrevista ao portal UOL, afirmou que o país vem enfrentando duas doenças: a covid-19 e o bolsonarismo.

"Meu diagnóstico é que o Brasil se defronta com duas patologias, duas doenças. Uma, no sentido estrito da palavra, que são as síndromes derivadas do coronavírus. A outra doença é uma patologia política que atende pelo nome de bolsonarismo ou Bolsonaro. Temos que cuidar de uma de cada vez.", afirmou Dino, um dos nomes mais fortes da esquerda do país.

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Há dias Bolsonaro vem sendo criticado por ser contra medidas de isolamento social, algo que especialistas do mundo inteiro apontam como um fator decisivo para conter a propagação do vírus. Dino criticou a postura do presidente ao lembrar a família dos infectados.

“Só há duas posições: quem defende, neste momento, medidas preventivas e quem, como o próprio Bolsonaro, acha normal que alguns morram. Eu quero ver ele dizer isso às famílias das vítimas. Claro que esperamos que o mais breve possível seja viável rever certas restrições. Mas, no momento, o consenso científico é de que o distanciamento ou isolamento social é o único caminho que temos”, atestou o governador maranhense.

Para ele, a insistência para que uma parcela da população brasileira retome as atividades normalmente é algo que beira o nazismo.

"Alguns dizem: 'os fortes vão trabalhar e os fracos ficam em casa'. A síntese dessa ideologia, de inspiração eugenista, quase que nazista, seria a visão de que esses supostos fortes não teriam contato com os fracos. Ora, como faz isso? O governo vai dar casas para as pessoas? Para quem tem algum tipo de imunodeficiência ou para os idosos? É uma insensatez. É um descompromisso com a seriedade que deve inspirar o presidente da República", disparou.

Dino diz esperar que Bolsonaro termine o mandato, mas não descartou a possibilidade do presidente sofrer um processo de impeachment.

"Se diante da gravidade da perda de uma vida humana, ele menospreza, fico a imaginar: o que poderia fazer com que ele mudasse?", pergunta.

Ele ainda criticou o presidente pela forma obscura com a qual vem tratando do combate ao novo coronavírus com os governadores. Para Dino, o presidente sequer esconde uma “má vontade” no momento de dialogar com os estados.

“Bolsonaro só sabe adotar um único comportamento político, que, na visão dele, é bem-sucedido. Um sentido egoísta do conceito de sucesso que faz com que ele acredite que esse método extremista, atrapalhado, atabalhoado e agressivo seja certo. Ele não entende outro código, outro dicionário, outra gramática. Faz isso o tempo inteiro, desde que assumiu o governo. Em relação aos governadores, essa má vontade é evidente. Ele mesmo convidou governadores para reuniões regionais. Nós fomos. Uma prova de gentileza, de educação e de colaboração. No dia seguinte, desfez tudo que havia proposto no que se refere ao clima de entendimento e de diálogo".

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