Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo unem forças para salvar florestas

Vista aérea de regoão desmatada da floresta amazônica em Manaus

Por Stanley Widianto e Jake Spring

NUSA DUA, Indonésia (Reuters) - As três maiores nações que abrigam florestas tropicais no mundo --Brasil, República Democrática do Congo (RDC) e Indonésia-- lançaram formalmente nesta segunda-feira uma parceria para cooperar na preservação da floresta após uma década de negociações sobre uma aliança trilateral.

A Reuters informou em agosto que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva buscaria uma parceria com as outras duas nações para pressionar o mundo rico a financiar a conservação das florestas.

A rápida destruição das florestas tropicais, que através de sua densa vegetação servem como captadores de carbono, libera dióxido de carbono que aquece o planeta, colocando em risco as metas climáticas globais. O reflorestamento da selva anteriormente desmatada tem o benefício de remover os gases do efeito estufa já presentes na atmosfera.

Representantes dos três países, que abrigam 52% das florestas tropicais do mundo, assinaram a declaração conjunta durante as negociações na Indonésia, antes do país sediar o encontro do G20, ou Grupo das 20 nações industrializadas, que começa na terça-feira.

"A cooperação sul-sul --Brasil, Indonésia, RDC-- é muito natural", disse a ministra do Meio Ambiente da República Democrática do Congo, Eve Bazaiba, antes da assinatura.

"Temos os mesmos desafios, a mesma oportunidade de ser a solução para as mudanças climáticas."

No acordo, a aliança disse que os países devem ser pagos pela redução do desmatamento e pela manutenção das florestas como captadores de carbono.

Os países também trabalharão para negociar "um novo mecanismo de financiamento sustentável" para ajudar os países em desenvolvimento a preservar sua biodiversidade, bem como aumentar o financiamento por meio do programa REDD+ da Organização das Nações Unidas para reduzir o desmatamento.

As conversações do G20 coincidem com a segunda e última semana da cúpula climática da COP27 das Nações Unidas no Egito, onde a conselheira ambiental de Lula, Izabella Teixeira, disse que o Brasil procuraria obter o envolvimento de outros países da bacia amazônica, que abrange nove nações.

"As florestas são importantes, a natureza é importante. E acredito que sem a proteção da Amazônia, não podemos ter segurança climática", disse Teixeira, que foi ministra do Meio Ambiente durante o mandato de Lula, que terminou em 2010. "Acredito que o Brasil deve promover que outros países se unam."

As negociações sobre a aliança para proteger a floresta tropical até agora haviam fracassado devido a "dificuldades institucionais", disse Teixeira.

A declaração conjunta citou uma reunião dos três países na cúpula do clima do ano passado em Glasgow que injetou impulso nas negociações.

Elas se concretizaram nas últimas semanas da presidência de Jair Bolsonaro, antes de Lula assumir o cargo em 1º de janeiro.

Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, autoridades ambientais dos três signatários disseram que desejam "promover a cooperação mútua entre os três países na área de florestas tropicais e ação climática baseada na igualdade e no benefício mútuo".

"Sublinhamos a importância de assegurar a integridade de todos os ecossistemas e a importância para alguns do conceito de 'justiça climática', quando da tomada de medidas para lidar com a mudança do clima, enfatizando a importância de proteger, conservar e recuperar a natureza e ecossistemas para alcançar a meta de temperatura do Acordo de Paris, e assegurando salvaguardas sociais e ambientais", disse o comunicado.

(Reportagem de Stanley Widianto em Nusa Dua, Indonésia e Jake Spring em Sharm el-Sheikh, Egito, e Bernadette Christina em Jacarta)